CARTA DA CÂMARA EPISCOPAL - Protocolo de Abertura dos Templos e Atividades
Eis que faço novas todas as coisas…Ap 21:5a
Amados irmãos e irmãs!
Temos acompanhado solidariamente as comunidades que têm enfrentado conosco estes tempos
difíceis. Com frequência nunca vista antes, emitimos ao longo destes 120 dias diversas cartas
pastorais e aprovamos outras tantas iniciativas que têm mantido nossa Igreja orante, esperançosa
e confiante na provisão de Deus.
Agradecemos a Deus porque nos manteve unidos e unidas em torno do dom mais importante que
Ele nos concedeu: a vida. Preservá-la com amor e cuidado maternal sempre tem sido o imperativo
que nos moveu desde o começo da pandemia do COVID-19. E neste propósito continuaremos até
que passe toda esta provação. Temos aprendido cada dia mais sobre o quanto dependemos de
Deus, de sua misericórdia e seu cuidado.
Todos Estamos com saudades de nossos encontros e de nossas celebrações presenciais.No
contexto da pandemia temos visto avanços e recuos distintos em diferentes partes de nossa
Província. O GT da crise da Pandemia tem se esforçado incansavelmente em ajudar nossa
Província com subsídios pastorais e dentre estas contribuições, temos agora um protocolo que nos
guiará por caminhos mais seguros - embora saibamos que sem uma vacina comprovadamente
testada continuaremos sob constante risco.
Assim - graças a assessoria do GT da Crise da Pandemia - estamos adotando o protocolo que
acompanha esta mensagem e recomendamos estritamente que seja seguido em toda a Província,
devidamente adaptado às condições locais, para garantir a saúde e a integridade desta Igreja
amada por Deus. Este protocolo não é um convite à uma liberação irresponsável e assistemática
de reuniões, aglomerações, festas ou qualquer atividade que exponha as pessoas a risco. A
pandemia ainda não foi superada. Ainda temos que tomar todos os cuidados que nos seja possível!
Cada bispo ou bispa terá a tarefa, com seu clero e instâncias diocesanas, de monitorar a aplicação
do protocolo observando o contexto sanitário local. O sentimento que deve anteceder qualquer
encaminhamento é o de cautela e moderação. Pelo bem de todas as pessoas, que inclui as
dimensões espiritual, física e emocional.
Em algumas partes de nossa Província algumas comunidades retornarão suas atividades. Em
outras ainda não. Nestas e naquelas deve prevalecer sempre o cuidado amoroso de clérigos e
clérigas com as comunidades que Deus tem colocado sob sua responsabilidade, sob a supervisão
dos bispos e bispas.
Vamos construir nossos reencontros com sabedoria, cuidado e respeito de umas com as outras!
Lembrando uma poesia que nos diz: Se o encontro é bom, o reencontro é mágico!
Curitiba, 23 de julho de 2020
Câmara Episcopal
Bispo Naudal Alves Gomes - Diocese Anglicana do Paraná - Primaz da IEAB
Bispo Maurício Andrade - Diocese Anglicana de Brasília
Bispo Francisco de Assis da Silva - Diocese Sul Ocidental
Bispo João Câncio Peixoto - Diocese Anglicana do Recife
Bispo Humberto Maiztegui - Diocese Meridional
Bispo Eduardo Coelho Grillo - Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto - Diocese Anglicana da Amazônia
Bispa Meriglei Borges Silva Simim - Diocese Anglicana da Pelotas
Bispo Francisco Cézar Fernandes Alves - Diocese Anglicana de São Paulo
CÂMARA EPISCOPAL
GRUPO DE TRABALHO DE ENFRENTAMENTO À PANDEMIA DO COVID-19
PROPOSTA DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES PARA A RETOMADA DE ATIVIDADES
PRESENCIAIS EM TEMPLOS E ESPAÇOS PÚBLICOS GERIDOS PELA PROVÍNCIA E PELAS
DIOCESES DA IEAB
“Fiquei feliz quando me disseram: vamos à casa do Senhor” (Salmo 122:1).
O momento de reabrir nossos templos e espaços para cultos e atividades públicas será,
inevitavelmente, um tempo de triplos sentimentos: alegria em sermos capazes de nos unir
para adorar em nossas igrejas, tristeza pela perda ou ausência de alguns membros de
nossas comunidades e incertezas sobre o que o futuro que nos espera.
Estas orientações foram escritas para oferecer apoio ao permitir que os espaços da igreja
sejam abertos com segurança para o público e para a adoração.
As orientações devem ser compartilhadas pelos reitores(as), párocos(as), ministros(as)
encarregados(as), juntas paroquiais ou conselhos de missões e lideranças leigas, devem
ser estritamente observadas para a realização de serviços como Comunhão, batismos,
casamentos, funerais, reuniões e outras atividades desenvolvidas nos templos ou espaços
da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
I. OBSERVAÇÕES INICIAIS:
a) Os critérios apresentados a seguir são indicados para subsidiar os(as) Bispos(as),
Conselhos Diocesanos e demais autoridades da Província e das Dioceses da IEAB nos
processos de tomada de decisão sobre a possível reabertura de templos e outros espaços
públicos sob sua responsabilidade durante a Pandemia da COVID-19;
b) Esses critérios são indicados como critérios mínimos recomendados pela IEAB, mas,
quando houver outros critérios ou padrões mais rígidos estabelecidos por autoridades
civis, esses critérios e padrões devem ser acrescentados ou se sobrepor aos
recomendados pela Igreja;
c) Outros critérios ou avaliações mais contextuais também podem ser acrescentados e
considerados pelos(as) Bispos(as) e autoridades provinciais e diocesanas para
fundamentar sua decisão;
d) A avaliação de que há condições para a retomada de atividades presenciais não implica
que essas atividades possam ser retomadas da mesma forma e nas mesmas condições em que seriam realizadas antes do período da Pandemia. É necessário estabelecer
também quais as restrições e as condições necessárias para a abertura dos espaços e
atividades.
II. CRITÉRIOS TÉCNICOS PARA A RETOMADA DE ATIVIDADES PRESENCIAIS:
1- Existência de autorização oficial das autoridades civis locais para a abertura e retomada
de atividades em templos religiosos ou em outros espaços públicos geridos pela Igreja;
2- Existência de condições objetivas dos responsáveis diretos pela gestão e utilização do
templo ou espaço físico para atender as exigências estabelecidas pela IEAB e pelas
autoridades civis para a retomada de atividades presenciais;
3- Manutenção, durante pelo menos duas semanas contínuas, na cidade ou Distrito
Sanitário em que se encontra o templo ou espaço físico, de uma taxa de ocupação de
leitos de UTI, com respirador, abaixo de 80%;
4- Manutenção, durante pelo menos três semanas contínuas, na cidade ou Distrito
Sanitário em que se encontra o templo ou espaço físico, de uma taxa de contágio igual ou
menor que 1,0 (ou seja, estabilização ou diminuição no registro de novas pessoas
contaminadas);
5- Manutenção, durante pelo menos duas semanas contínuas, na cidade ou Distrito
Sanitário em que se encontra o templo ou espaço físico, de uma curva de estabilização
ou diminuição no número de mortes registradas por COVID-19 e Síndrome Respiratória
Aguda Grave (SARS).
III. CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA A RETOMADA DE ATIVIDADES E (RE)ABERTURA DE
TEMPLOS E ESPAÇOS FÍSICOS DA IEAB
1 - Qualquer espaço de celebração somente poderá ser ocupado em até 30% de sua
capacidade. Onde houver necessidade, recomenda-se que haja agendamento prévio das
pessoas que devem participar de cada celebração.
2 - Deve ser respeitado o distanciamento mínimo de um metro e meio de separação entre
as pessoas, exceto em situações excepcionais ou de urgência.
3 - É obrigatório o uso de máscaras por todas as pessoas, em todos os espaços, durante
todo o período de permanência nos ambientes administrados pela igreja. Caso haja
necessidade, podem ser também utilizadas coberturas faciais de acrílico ou outros
materiais.
4 - Pessoas especialmente vulneráveis (acima de 60 anos, com diabetes, hipertensão,
obesidade ou outras doenças crônicas), devem ser previamente advertidas, pelas pessoas
responsáveis, dos riscos de frequentarem as celebrações presenciais, todavia, a decisão
final sobre sua participação caberá a cada pessoa, exceto quando houver restrição da
legislação civil.
5 - Os nomes e contatos (telefone, e-mail etc.) das pessoas participantes das celebrações
e outras atividades devem ser cuidadosamente registrados, visando possível
rastreamento, caso alguém que estava presente na celebração ou atividade tenha
confirmação de contaminação e seja necessário avisar às demais.
6 - Após as celebrações ou atividades, as pessoas deverão ser aconselhadas a deixarem
os espaços de maneira alternada e se dirigirem para suas casas, não sendo autorizado
aglomerações em espaços comuns, como praças, salões, estacionamentos, jardins etc.
7 - Durante as celebrações, as pessoas em deslocamento deverão, se possível, ser
conduzidas de maneira unidirecional, evitando pontos de aglomeração.
8 - Recomenda-se que os espaços de celebração tenham boa ventilação, mantendo
sempre que possível, portas e janelas abertas.
9 - Os espaços devem ter sinalização clara ou assistência das lideranças, suficientes para
ajudar a manter a conformidade. Os locais onde as pessoas irão sentar em bancos de
madeiras, deverão estar marcados com fitas e as cadeiras deverão estar separadas por
um metro e meio, no mínimo.
10 - Ao entrar e sair dos espaços da Igreja todas as pessoas, incluindo funcionários e
voluntários, devem lavar as mãos por pelo menos 20 segundos usando água e sabão ou
álcool em gel. Os espaços deverão possuir recursos para lavagem das mãos, lugares de
fácil acesso para o uso de álcool e cartazes informando sobre as práticas de higiene das
mãos. Recomenda-se também, quando possível, aferir a temperatura de todas as pessoas
que participem das celebrações e atividades.
11 - Os banheiros devem ser mantidos abertos, se possível e cuidadosamente
gerenciados para reduzir o risco de transmissão. Etapas que geralmente serão
necessárias para tornar o uso de banheiros o mais seguro possível:
A) Placas e pôsteres sobre higiene segura.
B) Marcação de distanciamento social em áreas onde as filas normalmente se formam e a adoção
de uma abordagem de entrada limitada.
C) Disponibilizar desinfetantes para as mãos na entrada de banheiros, onde sejam seguros e
práticos, e garantir instalações adequadas de lavagem das mãos, incluindo água corrente e
sabão líquido, além de materiais de secagem (toalhas de papel ou secadores de mãos). Toalhas
comuns devem ser removidas e substituídas por toalhas descartáveis.
D) Orientações claras de uso e limpeza de banheiros. Usar produtos de limpeza normais, prestando
atenção ao toque frequente das mãos nas Superfícies e considere o uso de panos descartáveis
ou toalhas de papel para limpar todas as superfícies duras. Cuidados especiais devem ser
tomados para a limpeza de banheiros portáteis e blocos maiores.
E) Manter as instalações bem ventiladas.
F) Estabelecer um cronograma de limpeza atualizado e visível.
G) Estabelecer um cronograma mais frequente de coleta de resíduos e lixo.
13 - Crianças pequenas devem ser supervisionadas pelos pais ou responsáveis que
devem cuidar para que tenham uma higiene adequada. Quaisquer instalações
compartilhadas por crianças, como locais de brincar, móveis, brinquedos etc. devem ser
removidos ou colocados fora de uso.
14 - Se não for possível limpar todo o templo ou espaço físico após cada celebração ou
atividades, devem ser higienizados pelo menos as superfícies que são frequentemente
mais tocadas (maçanetas, corrimões, bancos, cadeiras, genuflexórios, utensílios, etc.).
Destaca-se que devem ser utilizados os materiais de limpeza adequados para não
danificar o patrimônio.
15 - Durante o período da pandemia recomenda-se não utilizar LOC, hinários, folhetos
litúrgicos ou outros materiais impressos de uso comum. Caso esses materiais tenham que
ser usados, os mesmos deverão ser limpos com álcool ou outros materiais adequados,
antes e depois das celebrações. Preferencialmente, devem ser usados folhetos litúrgicos
individuais, deixados nos bancos ou cadeiras e levados para casa ao final das celebrações.
Recomenda-se, quando possível, o uso de LOC, hinário e Bíblia pessoal e/ou a projeção
das liturgias e outros conteúdos necessários.
16 - Quanto à música e louvor:
A) Instrumentos podem ser utilizados, mas, devem ser adequadamente limpos antes e após o uso.
B) Recomenda-se que haja uma única pessoa conduzindo os cânticos, que deve ser mantida
socialmente distanciada e utilizar protetor facial de acrílico ou outro material adequado.
C) As pessoas devem evitar cantar, gritar, levantar a voz e/ou tocar música em volume alto. As
respostas faladas durante o culto também não devem ser feitas em voz alta. Caso necessário, é
possível considerar o uso de gravações como uma alternativa ao cântico ao vivo.
17 - Pessoas da mesma casa podem sentar-se juntas. Todos as outras precisarão
observar distanciamento social adequado em todos os momentos.
18 - Recomenda-se que as ofertas e dízimos sejam recebidos através de transferência
bancária ou outros meios eletrônicos. Caso seja necessário o manuseio direto do dinheiro,
o mesmo deve ser colocado em envelopes e coletado em recipiente que possa ser limpo.
A pessoa responsável pelo manuseio do dinheiro deverá utilizar luvas e ter cuidados
redobrados com a limpeza e higiene das mãos.
19 - Caso alguma pessoa manifeste sintomas da COVID-19 (como tosse, febre, dores na
garganta, no corpo, perda de paladar, olfato ou dificuldade de respiras) durante
celebrações ou atividades em espaços da Igreja, essa pessoa deve ser imediatamente
encaminhada para atendimento de saúde.
20 - Os templos não podem ser alugados ou emprestados para eventos.
21 - Quanto a Comunhão:
A) A pessoa celebrante, todas as pessoas envolvidas na distribuição da comunhão e todas as pessoas
comungantes, deverão higienizar as mãos com álcool em gel imediatamente antes do manuseio dos
elementos.
B) A pessoa celebrante ou ministro(a) da comunhão deverá colocar a partícula nas mãos das pessoas que
desejam participar e nunca diretamente na boca. Poderá ser utilizada, se possível, pinças para o manuseio
dos elementos.
C) A pessoa celebrante somente poderá beber o vinho no cálice, após todas as pessoas participarem da
comunhão.
D) A pessoa celebrante não deverá partilhar do cálice com outras pessoas.
22 - O(a) reitor(a), pároco(a), junta paroquial e/ou conselho de missão, não devem se
sentir pressionados a abrir nenhum espaço da igreja se, à luz da orientação e
responsabilidade humana, não considerar seguro fazê-lo. Se houverem dúvidas e não se
sabe como proceder, deve ser consultada a autoridade episcopal.
23 - Caso o(a) reitor(a), pároco(a) ou ministro(a) encarregado(a) da celebração não puder
cumprir suas responsabilidades por estar doente ou vulnerável, o mesmo deve comunicar
a(o) bispo(a), buscando encontrar uma pessoa para lhe substituir.
OBS: O protocolo busca trazer as condições ideais para proteção dos(as) reitores(as),
párocos(as), ministros(as) encarregados(as) e de toda comunidade de fieis. A igreja
entende que nem sempre as comunidades, em especial as rurais, têm condições de
cumprir rigorosamente todo esse protocolo. Em caso excepcionais os(as) responsáveis
pelas comunidades devem consultar o(a) bispo(a), para saberem a melhor maneira
resolver a situação, buscando sempre a maior proteção possível para os(as) fieis.
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