Justin Welby aos fiéis anglicanos: abandonem velhos medos e deem boas-vindas às episcopisas
O arcebispo de Canterbury irá convocar a comunidade anglicana para abraçar uma “mudança cultural na vida da Igreja” e abandonar velhos medos, desconfianças e preconceitos na medida em que a introdução de episcopisas se aproxima.
A reportagem é de Sam Jones, publicada pelo The Guardian, 12-02-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
Em seu discurso ao Sínodo Geral, em Londres na quarta-feira (12-02-2014), Justin Welby refletirá sobre o amor e o medo na esteira de suas recentes viagens ao Sudão, Burundi, Ruanda e à República Democrática do Congo e pedirá aos fiéis para encontrarem novas formas de trabalho conjunto.
Seu apelo vem um dia após o Sínodo ter aprovado planos para acelerar a legislação que poderá permitir a escolha de uma primeira episcopisa até o final deste ano.
“Nós concordamos - e se Deus quiser iremos seguir neste caminho durante os próximos meses até que isso constitua parte de uma medida acordada - que ordenaremos episcopisas”, dirá o líder religioso.
“Ao mesmo tempo, concordamos que queremos, ao proceder asism, fazer com que todas as partes da Igreja floresçam. Se quisermos desafiar o medo, precisamos encontrar uma mudança cultural na vida da Igreja, na forma como nossos grupos e partidos trabalham para construir o amor e confiança. Na prática, isso vai significar maneiras diferentes de se trabalhar em todos os níveis da Igreja, na forma como nossos encontros são estruturados, apresentados e vividos.
Welby dirá ser vital que uma “enorme disciplina” seja exercida ao se fazer novas nomeações, dando a entender que ele faz questão de garantir que aqueles que se opõem à criação de episcopisas não acabem se sentido alienados ou preteridos.
Na terça-feira, membros do corpo diretivo da Igreja Anglicana votaram para remover a Lei do Ministério Episcopal, do Sínodo de 1993, o que ajudou a manter a Igreja unida ao fornecer os assim chamados “flying bishops” [literalmente, “bispos voadores”] para cuidar de paróquias que rejeitaram a ordenação de mulheres.
Por uma margem de 358 a 39, os membros votaram a favor de se ter um período de seis meses para consulta sobre a nova legislação, de forma que as respostas das dioceses estariam prontas para serem levadas em consideração no próximo encontro do Sínodo, a ocorrer no mês de julho. Nove membros do Sínodo se abstiveram.
No âmbito das medidas - que ganhou apoio esmagador no último encontro do Sínodo, ocorrido há três meses -, às episcopisas seria apresentado um “manifesto” da Câmara dos Bispos com orientações para as paróquias em que as congregações as rejeitarem.
Os planos incluirão a criação de um ombudsman, nomeado pelos arcebispos e com o apoio de representantes leigos e do clero no Sínodo, que decidiriam sobre as disputas um vez que as episcopisas estiverem instaladas. O sacerdote que não cooperar com o ombudsman poderá estar sujeito a um processo disciplinar.
Agora que o pacote abriu a fase de revisão - e se lhe for dada a aprovação final quando o Sínodo estiver reunido em julho -, a nova legislação poderá entrar em vigor em novembro, e uma episcopisa poderia ser escolhida no mês seguinte, dezembro.
Em seu discurso, Welby também dirá: “Todos sabemos que o amor perfeito expulsa os medos (...) Sabemos disso, embora nem sempre o coloquemos em prática. Nós sabemos, principalmente, que o medo perfeito expulsa o amor. Em qualquer instituição ou organização, o momento em que reina a suspeita e que a suposição segundo a qual nada é válido torna-se dominante - quer dizer, quando o ganho alheio deve significar perda de minha parte; que não é possível nós dois florescermos -, neste momento a instituição encontra-se cada vez mais dominada pelo medo”.
Apesar de reconhecer que a Igreja Anglicana não está “arrumada nem é eficientemente hierárquica”, os arcebispos sublinharão a necessidade pela unidade, a cooperação e cautela, uma vez que se aproxima o fim do impasse de duas décadas sobre trazer as mulheres para dentro do episcopado.
O bispo de Rochester, Dom James Langstaff, que presidiu o comitê que apresentou o novo pacote de mudanças, afirmou esperar que o novo acordo vá ao encontro da aprovação final em julho, mas que não está “pondo a carroça na frente dos bois”, especialmente após a votação desastrosa de novembro de 2012, que assistiu a movimentos para a introdução de episcopisas serem derrotados por apenas 6 votos.
“Esperamos que o formato diferente do processo que estamos realizando leve à aprovação final, caso contrário não estaríamos levando-o até esta fase”, afirmou.
“Mas até que os votos sejam, de fato, contados seria prematuro supor que as mudanças estão aprovadas.”
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