Entre o Essencial e o Suplementar - O que um Cristão Anglicano deve Crer?


por Rev. Leandro Campos, OSB

Segundo São Vicente de Lerins os cristãos têm de crer quod semper, quod ubique, quod ab ómnibus: só e tudo quanto foi crido sempre, por todos e em todas as partes.
Essencial: da identidade Anglicana é descrito no quadrilátero de Lambeth 1) Credos; 2) Sagradas Escrituras; 3) Sacramentos; e 4) Episcopado Histórico.
Concomitante a este postulado é compreensível que se amplie o entendimento e contemple os formulários produzidos pela Igreja da Inglaterra e aprovados pelo Sínodo. 1) Trinta e Nove Artigos; 2) Livro de Oração Comum; 3) Ordinal; 4) Catecismo; bem como os usos e costumes adotados pela Igreja da Inglaterra e suas congêneres presentes em 165 países.
Suplementar: defendo que nada do que seja autenticamente cristão seja rejeitado pelo Anglicanismo. Então passado o crivo das Escrituras, da Razão e da Tradição considero a sua plena aceitação entre o clero e os fiéis adaptado a cada realidade local.
Existem práticas presentes no Catolicismo Ortodoxo e Latino, bom como no Protestantismo Histórico e no Pentecostalismo, que estão ausentes no Anglicanismo de via média. Isso não depõe contra tais práticas que podem ser recebidas aqui e ali se o entendimento for que sejam úteis para a edificação da fé e piedade cristãs.
Porém, há práticas que nos afastam de uma autêntica cristologia e de uma séria teologia da economia salvífica, depositando a fé das pessoas não no Cristo encarnado, crucificado, ressurreto e que voltará como supremo juiz de todos os povos, mais em objetos cúlticos que ofuscam o mistério da fé.
Ainda que uma primitiva análise considere a antropologia religiosa e perceba em tais objetos "muletas" para alcançar a maturidade da fé. Tais muletas não podem e não devem substituir a sã doutrina dos apóstolos uma vez confiada aos bispos e seus sucessores.
Assim sendo, avalio que seja prudente receber como crível o Essencial do ensino de Cristo e dos Apóstolos, como também o Suplementar do ensino da Igreja cristã Anglicana e demais tradições ainda que sob o crivo das Escrituras, da Razão e da Tradição. E rejeitar aquelas doutrinas que hoje tem se espalhado por nós, e que não se podem provar nem pelas Escrituras, nem pela Tradição Apostólica e nem pelo Magistério da Igreja.

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