Um ministério (In)Grato!

Nome dos 12 Discípulos de Jesus e 5 Curiosidades Sobre Eles

✍🏻 por Reverendo Leandro Antunes Campos
assistente social, teólogo anglicano e ativista dos direitos humanos

SANTOS - E já se vão 20 anos como membro da Igreja Anglicana e 13 anos como ministro ordenado.
Cada dia é um grande aprendizado. Há momentos muito felizes e outros de grande tristeza e solidão.
Lidar com a "oposição" é sempre um aprendizado já que muitas vezes a oposição não tem motivo nenhum além de se fazer oposição.
De verdade é um ministério (In)grato pois trabalhamos contra a natureza do pecado que há em cada um de nós.
Ninguém quer um Reverendo que fica lembrando toda a hora da Palavra de Deus, de suas obrigações com a Igreja e de uma disciplina espiritual cristã Anglicana.
O que a maioria das pessoas desejam é fazer o que bem entenderem, e no máximo quando precisarem aparecer na Igreja achar um bom motivo para criticar quem está ali trabalhando.
Percebo que os "grandes revolucionários" costumam aparecer de Assembleia Geral em Assembleia Geral, lá apontam o dedo para o Reverendo, tecem críticas e apontam soluções para problemas que eles próprios desconhecem.
No mais, no dia a dia, são raros os que aparecem no Culto, os que participam nas Atividades, os que apoiam com orações, e mais raros ainda os contribuintes regulares. É muito mais fácil criticar do que trabalhar.
Aliás, descobri uma nova síndrome a do "assumi e sumi". Isto mesmo, geralmente funciona assim, a pessoa aparece de para-quedas na Igreja reclama que não há atividades sociais ou beneficentes, sugere uma ou mais atividades e quando o Conselho ou Reverendo abraçam a ideia a pessoa desaparece e só retorna após o evento para fazer novas críticas.
Paulo estava correto ao afirmar que o pecado em nós faz-nos realizar as obras que não queremos, e a que queremos estas deixamos de realizar.
A própria "igreja" que prega a diversidade quer encaixar o reverendo num "limitado e empobrecido" modelo arcaico e ultrapassado que já não existe mais em nenhum lugar do mundo. As outroras "famílias donas da igreja" continuam a ter um "liderança pararela" e influenciando bispos e arcebispos sem qualquer conhecimento e concordância das Assembleias, Junta Paroquial ou Reverendo.
É um saudosismo do famoso "você sabe com quem está falando?" - foi meu pai/mãe quem doou a "rebimboca da parafuseta". "Na minha época a Igreja era Assim ou Assado".
Verdade que somos gratos por todos os clérigos e leigos que vieram antes de nós e que prepararam os caminhos para hoje trilharmos. Entretanto, não somos todos iguais! Cada um de nós é chamado a dar a sua própria contribuição para a edificação da Igreja, inclusive o Reverendo.
Não pode se vestir assim, não pode rezar assim, não pode concelebrar com fulano ou beltrano, não pode deixar de elogiar/agradecer as famílias tal e tal, aonde está escrito isso? Quem aprovou tal "Cânone" da Igreja?
O Reverendo não é um empregado da Igreja! Não é porteiro, faxineiro, sacristão, segurança, zelador, pintor, carpinteiro, pedreiro, eletricista, etc. Ainda que exerça vez ou outra uma das funções para um bem maior.
O Reverendo deve capacitar todos os membros da Igreja para viverem suas vidas como bons cristãos. Educá-los para o uso do Livro de Oração Comum, do Estudo assíduo da Bíblia, e sobre a nossa tradição musical através do Hinário.
Mais do tudo isso, o reverendo deve apontar caminhos para que todos sejam bons cidadãos e pratiquem a paz e justiça e sejam fraternos uns para com os outros.
O homem velho e a mulher velha estão constantemente lutando contra o trabalho do Reverendo, pois assim é o efeito do pecado em nós. Não queremos nos converter, não queremos mudar, não queremos ser discípulos e missionários de Jesus.
Assim, é muito mais fácil querer moldar o Reverendo a nossa própria imagem e semelhança do que moldarmo-nos a imagem e semelhança de Jesus. Afinal, para seguir Jesus é preciso que o EGO diminua para que ELE cresça.

e-mail: leandro.campos@aol.com

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