A Fé Anglicana, a Ciência e o Luto:

✍🏻Por Reverendo Leandro Antunes Campos
assistente social, teólogo anglicano, e ativista dos direitos humanos

última atualização - 16/07/2020

SANTOS - "Enxugue seus olhos", diz Shakespeare em Ricardo II, "As lágrimas expressam amor, mas querem alívio".
Boa parte do cristianismo anglicano evoluiu em diálogo com a ciência, com a tecnologia, com a filosofia, com a hermenêutica, com os desafios da pós-modernidade e com as novas descobertas no campo da genética, da ecologia, da astronomia e da física.
Ministros anglicanos, familiares e amigos buscam consolar-se mutuamente através de rituais, gestos e palavras. O ritual é caracterizado não por tristeza mas por confiança na ressurreição e esperança da vida eterna e comunhão com Deus e todos os Santos no Reino dos Céus. Os rituais são necessários para ajudar a aperceber-se o fato da perda, a elaborar o luto, a despedir-se e deixar ir a pessoa falecida.
Nossa Igreja não despreza o uso da razão e da investigação cientifica e na sua longa história, a pastoral da Igreja Anglicana respeita a liberdade individual e não determina automaticamente que os seus membros têm de fazer isso ou aquilo. Mas que, para o seu próprio bem, devem, seguir os ensinamentos da Igreja e decidir por si mesmos sobre o caminho a tomar. “Examinai todas as cousas, retende o que é bom”. (I Ts 5,21)
Todos os rituais cristãos são realizados com reverência e respeito: a Deus, ao próximo, e a tradição da Igreja. Desrespeitar os rituais, ministros anglicanos, familiares, as pessoas envolvidas, ou o próprio falecido, com certeza gerará desconforto e constrangimento para todos.
A Igreja prevê sanções para os que desrespeitam seus rituais e normas, tais como advertência verbal e/ou escrita, suspensão da comunhão, e excomunhão. O fiel que sofrer quaisquer destas sanções poderá recorrer à instância superior. O Bispo dará a última palavra qual não caberá mais recursos.
Os ministros ordenados são orientados a acompanhar por algum tempo os enlutados até que elaborem e superem sua perda voltando a uma rotina saudável com seus familiares. Quando há sinais de depressão e dificuldades para reorganizar-se após a perda, os ministros ordenados são orientados a recomendar ajuda profissional.

As 5 fases do luto
Negação: É um mecanismo de defesa da pessoa que a leva a não acreditar ou a não querer acreditar no que aconteceu. Geralmente a pessoa usa expressões do tipo “Eu não acredito que isto me tenha acontecido”, “não pode ser possível”. A impressão é que a pessoa morta entrar a qualquer instante pela porta. Culpa: Trata-se de um sentimento muito comum. As pessoas começam a pensar em tudo o que poderiam ter dito ou feito para impedir essa morte. Depressão: Estágio em que ocorrem mudanças súbitas de emoções (crises de choro, momentos depressivos, raiva, isolamento). Apesar de preocupante, é uma fase essencial para que a pessoa possa fazer uma análise mais franca sobre o ocorrido. Aceitação: É onde a pessoa começa a ter consciência do que aconteceu e se prepara para voltar as suas atividades. Apesar de toda pessoa enlutada passar por essas cinco fases, cada uma terá uma reação e um tempo próprio. É importante dizer que a morte não traz apenas a perda de uma pessoa querida, mas de todo contexto em que ela vivia, como por exemplo: os afazeres da casa, pagamentos, passeios, etc. Superando uma perda: O tempo se encarregará de trazer uma loja nova no bairro, um novo amigo, uma roupa nova, um corte de cabelo diferente, um emprego novo, novas experiências e assim a vida segue seu curso natural, sem esquecer é claro das boas lembranças que a pessoa deixou. “A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos que ela não existe.” (Allá Bozarth-Campbell)

e-mail: leandro.campos@aol.com

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