terça-feira, 28 de maio de 2019

SOBRE A DISCIPLINA EPISCOPAL



(copilado por Reverendo Leandro Antunes Campos)

Somente Cristo é o verdadeiro sacerdote; os outros são os seus ministros” - São Tomás de Aquino

Todos os fiéis cristãos participam, cada um no exercício que lhe é peculiar, do múnus de ensinar, santificar e reger da Igreja. Pelo batismo, que é o portal dos demais sacramentos, todos integram o sacerdócio comum de Cristo. Nessa perspectiva, o fiel cristão é inserido nesse sacerdócio e por conseguinte, passa a ser sujeito de direito fundamental aos demais sacramentos, instituídos por Cristo e organizados pela Igreja.

No Novo Testamento a eleição popular, o reconhecimento pelas autoridades, a oração, o jejum e a imposição das mãos constituíam uma ligação para a consagração de pessoas para o ministério cristão. O bispo emerge na Igreja Primitiva como um pastor-chefe, oficial da liturgia, e presidente do corpo de presbíteros.

Desde os tempos apostólicos existem na Igreja de Cristo estas três ordens de Ministros – Bispos, Presbíteros, e Diáconos. Tais ofícios foram sempre tidos em tão reverente estima que ninguém nunca ousou exercê-los sem que primeiro fosse chamado, examinado, aprovado e admitido por autoridade competente para isso; e sem aprovação e admissão da autoridade legítima, depois da oração pública, e da imposição de mãos.

Portanto, ao bispo diocesano cabe por si mesmo e por suficientes provas, conhecer o candidato ao episcopado, para que haja suficiente prova de uma vida cheia de virtude e sem crime, somente então o candidato será ordenado e sagrado ao grau do episcopado.

Para um presbítero anglicano ser bispo é requerido uma vida pia, justa e sóbria. Por vida pia entendemos uma vida dedicada ao estudo das Sagradas Escrituras, da recitação do Ofício Diário, e da Prática da Caridade. Por vida justa entendemos uma vida submetida às leis civis e canônicas. E, por vida sóbria entendemos que não deva ser dado aos vícios e paixões (jogo, bebidas, dívidas, etc.)

O poder de jurisdição é conferido diretamente ao bispo diocesano pelos cânones desta Igreja – ao qual os bispos auxiliares estão submetidos e ligados pelo voto de obediência e pelo vínculo da unidade, bem como os simples fiéis e todo o clero diocesano.

No dia de sua ordenação e sagração o bispo-eleito fará seu voto de ordenação e declarará “crer que as Sagradas Escrituras do Antigo e Novo Testamento são a Palavra de Deus e contém tudo o que é necessário para a Salvação” assumirá o compromisso canônico solene de “submeter-se à Doutrina, Culto e Disciplina da Igreja Anglicana”.

A fidelidade à Tradição Apostólica, ou seja, a comunhão na fé e nos sacramentos recebidos pelos Apóstolos, é a garantia da sucessão apostólica. Para tal, os bispos, presbíteros e diáconos devem viver de acordo com os seus votos de ordenação.

Os membros do clero subscrevem os votos de ordenação. Se estes votos forem ignorados ou violados, tanto a integridade pessoal como a confiança da igreja serão violadas. Portanto, o clero deve prestar contas de seus votos. O bispo poderá revogar a ordenação e/ou sagração de um membro do clero por violação do voto de ordenação.

Quando um candidato às ordens ou ao episcopado não tem a intenção de guardar os votos de ordenação eles são verdadeiramente nulos. Pois a Graça não pode aumentar aquilo que não se tem. E não se tem o desejo de cumprir os votos de ordenação. Submeter-se à Doutrina, Culto, e Disciplina da Igreja Anglicana - que está sob jurisdição do seu bispo diocesano como sucessor legítimo dos apóstolos.

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