sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Testemunho & Reflexão: Usos e Desusos



+ Rev. Leandro 



O fato que vou descrever aconteceu c. 2004, estava estagiando numa renomada paróquia anglicana de SP.
Naquele dia eu havia participado da Santa Eucaristia na condição de seminarista sob a presidência do bispo diocesano.
Usei as vestimentas completas - calçado cor preta, calça cor preta, camisa com clérgima, batina transversal anglicana cor preta, sobrepeliz cor branca e típete azul.
Para minha surpresa fui "repreendido" por usar a camisa com clérgima, que no entendimento do bispo de então era exclusiva para o uso dos ministros ordenados. Na verdade entendimento de todos os bispos e demais ministros ordenados.
Eu tenho convicção que o bispo agiu na melhor das intenções como um mestre na fé e um pai em Deus, embora focando apenas os "usos e costumes" da Igreja brasileira e de um período histórico apenas.
Num passado remoto a condição de "membro do clero" iniciava-se ainda durante as chamadas ordens menores das quais gostaria de destacar: porteiro, exorcista, leitor e acólito.
Ainda assim, muitas seminários até recentemente exigiam as vestimentas completas de seus estudantes de teologia, como batina e clérgima, como distintivo de sua condição e consagração ao estudo da Teologia e ao sacerdócio.
O que vemos é que a linguagem acadêmica e eclesiástica no uso de vestes e símbolos se inter-comunicam e só podemos compreender sua riqueza e diversidade se as olharmos panoramicamente.
Há muitas vestes acadêmicas que tem origem em vestes eclesiásticas, como as roupas de formatura. E vice-versa, há roupas que tendo origem na academia não tem qualquer ligação com a vida sacramental da Igreja, são chamadas vestes corais.
O fato é que teremos que passar por um período de exposição a tudo que nos remete ao Anglicanismo, para instintivamente fazermos uma triagem daquilo que é útil para edificar a fé cristã em nossa própria época e cultura.
Recentemente uma resolução do Sínodo da Inglaterra desobrigava os clérigos de vestes litúrgicas deixando para que o clérigo e o povo possam decidir caso a caso quando elas seriam realmente necessárias. E, na possibilidade de discordância a questão é remetida ao bispo local para a decisão final.
Na prática isto significa que o clero e o povo irão decidir o melhor uso das vestes litúrgicas para as Celebrações sacramentais ou não, levando-se em conta a diversidade e a cultura local.

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