segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Não Capelinha, mas Pró-Catedral


por Monsenhor Leandro
O templo da Igreja Anglicana de Todos os Santos é uma igreja em estilo neogótico vitoriano, projetado no ano de 1916 pelos arquitetos Walter B. Basset-Smith e Bertie Hawkins Collcutt, inspirado na estética anglo-normanda. Foi construído nos anos 1917 e 1918 pela Companhia Construtura de Santos, do Eng.º Robert Simonsen Cochrane - agente decisivo na criação da Federação das Indústrias de São Paulo, autor de uma das primeiras abordagens sobre a histórica econômica do Brasil, membro da Academia Brasileira de Letras. Foi Dedicada e Inaugurada para o culto público, para a glória e honra de Deus, em 21 de abril de 1918 em Cerimônia Solene presidida pelo Revmo. Dom Edward Francis Every, Bispo da Diocese Anglicana da Argentina, e Leste da América do Sul, e co-presidida pelo Rev. Cônego A.G. Fenn; e o Rev. Arthur W. Allan, que viria a ser o seu primeiro Reitor e capelão da Missão aos Marinheiros.
Nenhum templo anglicano de São Paulo tem um trabalho de evangelização e caridade quanto o templo de Santos. Só para recordar o templo da St Paul´s Church de 1873, não existe mais e a comunidade inglesa de São Paulo construiu um "novo" templo, hoje Catedral, sendo inaugurado em 13 de maio de 1967. Logo, a filha Igreja de Santos, tornou-se a mãe. É o templo mais antigo em atividade ininterrupta desde a sua fundação e no mesmo local, praça Washington, 92 e 93 - José Menino, Santos. É impossível não reconhecer seu valor histórico e eclesiástico. De tal forma que a municipalidade em 2015 tornou-a (igreja) um Patrimônio Cultural e Histórico da Cidade de Santos pela resolução 001/2015 da Secretaria de Cultura - CONDEPASA.
É injusto chamá-la de "capelinha" "igrejinha" ou qualquer outro termo diminutivo. Sua história e seu presente são dinâmicos e representam uma presença Sacramental dos ingleses Anglicanos que deram suas vidas e seus dons para a construção da Sociedade Santista e de toda a região. Nossos fundadores eram homens e mulheres bem ativos da sociedade e empreendiam através das empresas inglesas e estrangeiras o desenvolvimento e a economia na cidade e região. Os ingleses estavam presentes no comércio do Café, no Transporte de Navios (Wilson Sons), na Estrada de Ferro (São Paulo Railway), na Infra-estrutura (Energia Elétrica, Bondes, Saneamento, etc.)
Nossa charmosa Igreja de estilo único encerra em si mesma a grandiosidade do povo que a edificou e do povo que a frenquenta e cuida de sua manutenção. São gerações de cristãos que optaram pelo ramo Anglicano e que professam um cristianismo com raízes apostólicas e aberto ao diálogo com a ciência e o mundo contemporâneo. Não presos aos Dogmas eclesiásticos mas ao mandato bíblico de anunciar Jesus e seus ensinamentos registrados nos Escritos Sagrados. Como berço da Evangelização Anglicana no Brasil, cabe ressaltar o seu papel de Igreja-mãe da Evangelização, papel típico das Catedrais. Ao mesmo tempo em que devemos reconhecer seus limites e suas dificuldades para se renovar e encontrar o caminho para a sustentabilidade financeira. O termo então que mais cabe a este perfil é o de Pró-Catedral.
Pró-Catedral compreende um conceito que reconhece todos os dons e contribuição da Igreja Anglicana de Santos para Evangelização de São Paulo e do Brasil - como entrada dos ingleses e estrangeiros pelo Porto de Santos, e também está com os pés no chão para reconhecer o quão distante estamos para atingir todos os requisitos de uma Catedral de direito e de fato. Com o título de Pró-Catedral queremos homenagear todas as gerações de Anglicanos que nos antecederam e ao mesmo tempo chamar a geração presente e futura a combater o bom combate de guardar a fé, de testemunhar a caridade e de defender a justiça para todos!
Paz e bem.

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Um epitáfio