sábado, 30 de dezembro de 2017

A ERA DOM GLAUCO



Por Reverendo Leandro Antunes Campos

A última celebração do clero e povo Anglicano em torno do arcebispo emérito Dom Glauco Soares de Lima foi profundamente emblemática.
Não se fez ausente uma representação ecumênica e diversificada com ministros de diferentes ramos do anglicanismo, ortodoxia, catolicismo e luteranismo.
Senti a falta dos seus antigos colegas da câmara dos bispos, mas sei que os que realmente prezaram sua vida e ministério se fizeram presentes em oração.
Assim também, senti a falta de alguns de nossos colegas que como eu foram discípulos do grande professor e mestre de todos nós durante o período de formação ministerial no Instituto Anglicano de Estudos Teológicos.
A morte de Dom Glauco cria uma lacuna na história e liderança da Igreja Anglicana na IEAB, mas também da Catedral Anglicana de São Paulo. Incapazes de formar uma liderança até o momento de consenso para a reconciliação, comunhão e missão.
As incertezas do futuro não diminuem nossa esperança no Senhor da Igreja que vocaciona e envia os novos obreiros para a Messe, haja vista todos os dias nos chegarem notícias de novas comunidades e clérigos que se somam as fileiras da Catedral Anglicana de São Paulo.
A partir de 2013 passamos a ouvir de Dom Glauco sua expectativa para um "Movimento Anglicano no Brasil" que fosse libertado das amarras da institucionalização que impedem o ardor missionário da Igreja sendo mais sensível aos novos dons e carismas que Deus está suscitando entre nós.
Dom Glauco, assim como o Prof. Jaci Maraschin, somavam vozes aos que acreditam na necessidade de uma igreja anglicana brasileira que superasse o colonialismo inglês e a tentação de uma igreja anglicana "inglesa" para brasileiros por uma igreja anglicana brasileira e inculturada.
No último século vários movimentos nasceram dentro da Igreja Anglicana e cresceram e se desenvolveram formando "algo novo", ora movimentos interdenominacionais, ora novas igrejas, ora centros de divulgação do conhecimento cristão.
O vir a ser da Igreja Anglicana no Brasil com sua multifacetada expressão católica-evangélica-carismática-conservadora-liberal é um grande mistério até mesmo para os especialistas em Anglicanismo.
Os futurólogos arriscariam dizer que os cismas recentes da Igreja Anglicana no Brasil contribuíram muito mais para a expansão do Anglicanismo do que todo o esforço missionário empreendido nas últimas décadas. E que num futuro breve todas as jurisdições anglicanas terão o desafio de sentar juntas para responder as grandes questões da fé para a sociedade brasileira.
Até que ponto o Quadrilátero de Lambeth será uma ponte capaz de transportar-nos pelas águas turvas da política eclesiástica e os interesses corporativos das câmaras episcopais e os sínodos/concílios de cada organização?
A verdade é que ainda que discussões sejam feitas sobre "a sucessão episcopal", "a validação das ordens", "a validação do batismo", "a comunhão de púlpito", "a comunhão de altar". Sabemos que Cristo é muito superior a qualquer uma de nossas divisões.
Dom Glauco está para o Anglicanismo brasileiro como o período Vitoriano está para a Inglaterra. A Igreja Anglicana na Era de Dom Glauco se mostrou relevante nas Artes, na Ciência, na Política, na Ética, na Ecologia, na Religião, etc. como em nenhuma outra era de nossa história.
Acredito que somente um esforço conjunto de todos os clérigos e leigos da Igreja Anglicana farão jus ao legado de Dom Glauco e apontarão novos caminhos para a reconciliação, comunhão e missão de nossa Igreja em terras brasileiras.

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