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NOTÍCIAS DA CATEDRAL ANGLICANA DE SÃO PAULO

DEUS NÃO AMA A TODOS


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Mensagem do Rev. Leandro Antunes Campos em 06/08/2017
Festa da Transfiguração de Jesus Cristo
A afirmação de que "Deus não ama a Todos" parece contradizer toda a lógica e as Sagradas Escrituras a primeira vista, mas sua intenção é suscitar uma reflexão franca e mais profunda da fé.
O senso comum nos diz que cada pessoa é capaz de fazer um "Mix Religioso" pegando de cada tradição religiosa aquilo que mais lhe apraz e descartando "o resto", como se isso fosse possível.
Os sociólogos da religião demonstram "o trânsito religioso" e ultimamente a dupla, tripla ou poli - filiação religiosa. Há uma relativização dos ensinamentos cristãos co-existindo com ensinamentos e filosofias de outras correntes de pensamento, mesmo aquelas que são incompatíveis com o cristianismo.
Em João 3:16 está escrito: "Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho único para que todo que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna."
O mundo a que se refere o evangelista do I século da era cristã - segundo a razoabilidade hermenêutica, não seria maior que Israel, ou ainda o Oriente Médio, e na hipótese mais abrangente o Império Romano (Mundo Conhecido).
Ainda que sintamos o desejo de estender "o mundo" para o sentido de "planeta terra" ou ainda, todo o universo, toda a criação divina; é mais plausível que João estivesse mesmo se referindo primariamente a sua própria geração - até porque muitos dos apóstolos e discípulos criam que não morreriam sem ver a segunda volta de Jesus Cristo.
A outra argumentação sobre o amor de Deus e sua extensão é que embora dirigido a TODOS ele torna-se eficaz - portanto salvação, apenas para os que creem em Deus.
Em Hebreus 11:6 está escrito: "Sem fé é impossível agradar a Deus. Pois aquele que se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que recompensa os que o procuram."
A preocupação sobre o que acontece com o "Bom Ateu" - aquele que mesmo sem crer é um bom cidadão, é uma preocupação exclusiva do crente, pois para o Ateu após a morte existe apenas o NADA.
No último sermão que proferi "Somos Todos Inúteis" deixei de lado um argumento polêmico, entre os cristãos, que trata da "colaboração divina-humana" para a salvação. No qual, Deus chama a TODOS para experimentarem o seu amor/salvação, porém a Humanidade é livre para aderir ou não ao seu projeto de amor, justiça, paz e fraternidade em Jesus Cristo.
Na leitura da Transfiguração de Jesus, vemos Moisés e Elias, enviados por Deus-Pai para apoiar Jesus em um momento crítico de seu ministério, entre o primeiro e segundo anúncio de sua paixão e morte, ao mesmo tempo em que Jesus espera que ao transfigurar-se pudesse fortalecer a fé de Pedro, Tiago e João, para enfrentarem o derradeiro momento.
Abrindo um parenteses neste ponto há relatos que os discípulos queriam construir tendas para Jesus, Moisés e Elias, ao que foram repreendidos pelo próprio Jesus.
Há cerca de 50 anos uma denominação estadunidense construiu uma casa (mansão) para Abraão, Isaac e Jacó, uma vez que estavam certos da segunda vinda de Cristo e de que a ressurreição dos profetas antecederia a sua vinda. Diga-se de passagem que o único que usufruiu da mansão era o reverendo que liderava aquela religião/seita.
Para nós Anglicanos, é o filho de Deus, Jesus, que nos mostra o amor extremado do Pai. Pois na Transfiguração ele nos dá a conhecer o novo homem e nova mulher que podemos nos tornar ao responder com fé ao chamado amoroso do nosso Criador.
A Transfiguração está ligada a crucificação, e a crucificação está ligada a prova de amor de Jesus por nós. Pois está escrito em 1 João 3,16 "Nisto conhecemos o amor; ele deu a sua vida por nós."
A colaboração divina-humana é respondermos essa prova de amor pela fé em Deus, na obra de seu filho impulsionados pelo Espírito Santo.
É crer no nome do seu Filho Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros conforme o mandamento que ele nos deixou.
De fato, ainda que Deus ame a todos, o amor de Deus se torna eficaz apenas àqueles que creem no seu amor.

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