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Boletim Paroquial - 30 de novembro de 2016

Primeira Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB
Somos criaturas do desejo
Nós temos esperado pelo Advento na maior parte do ano (o Verbo se fez carne em 25 de Março, na Festa da Anunciação). Mas, como uma semente crescendo silenciosamente no solo dia e noite, este silêncio começa a se fazer audível nas quatro semanas do Advento. Se pudermos escutar o aumento do volume do silêncio da Encarnação durante esta estação de alta expectativa, estaremos melhor preparados para celebrar o Natal da maneira como se espera que seja celebrado.
A natividade em nosso mundo de senso do humano divino e do Deus humano é infinitamente misteriosa - então é facilmente perdida no alvoroço da época natalina. Ela se revela e se oculta simultaneamente. Durante o Advento, começamos a sentir o quanto Deus deve ser ao mesmo tempo ousado e tímido.
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Como o Advento se desdobra em quatro, vamos tratar da espera neste mesmo número de etapas. A primeira é a entediante consciência de que existe algo a se esperar. Isto é maios sentido do que percebido racionalmente. O sentimento de espera, no entanto, aguça a consciência e nos desperta para nós mesmos. É engraçado que sejamos primeiro acordados pela falta, pela dor de não ter aquilo pelo qual ansiamos e que ainda não conseguimos sequer nomear adequadamente. Mas o Homo Sapiens é naturalmente descontente e sempre faminto por algo mais. Nossas satisfações são maravilhosas mas não duram muito tempo. O preenchimento de um desejo logo nos mostra que não se extinguiu aquela sensação de incompletude que se apossa do nosso sempre mutável "eu". Antes que a espuma da onda de sucesso atinja a praia, outra já está se formando atrás dela.
Somos criaturas do desejo. Assim, instintivamente e fatalmente, interpretamos cada momento como doloroso ou prazeroso.
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Na medida em que percebemos isso, amadurecemos e nos tornamos melhores na criação dos mais jovens. Nos torna mais afetuosos e compassivos com eles. Somos tocados e nos divertimos em relação a quão entusiasmados eles ficam quando suas esperanças intensas, mas simples, são correspondidas. Mas isso também nos faz conscientes de que devemos ao mesmo tempo ajudá-los a modelar seus desejos e cumprir nossas promessas. Vemos a sabedoria desafiadora de colocar a felicidade do outro no mesmo nível da nossa. As crianças demonstram isso para nós.
Então não é uma surpresa que quando a sabedoria de Deus se materializa numa forma humana, Ele venha como criança. Temos de tomar conta dele. Curvarmo-nos diante d’Ele. Cuidar d’Ele, troca Suas fraldas, confortar Seu choro.
A graça que estivemos esperando preenche nosso desejo em um grau que muda nossa atenção para fora de nós mesmos.
Tenho visto adultos muito auto-centrados e angustiados, atormentados pelos desapontamentos de suas longas esperas, serem transformados por um recém-nascido, sendo elevados a um tipo de felicidade que jamais teriam atingido satisfazendo seus desejos.
A humanidade também tem esperado, desde que foi despertada por sua escravização ao desejo. Esperamos que Deus rompa nossas imagens e desejos projetados em direção aos deuses que nós mesmo criamos. Deus nos surpreende. Chega como uma criança desamparada, um bebê que temos que alimentar e proteger para que possa sobreviver e crescer. Atuamos como pais de Deus. Mas o crescimento que se segue torna-se maravilhoso como foi para Maria e José. Nossa chamada 'jornada espiritual'.
Já Maria guardava todas estas coisas, refletindo sobre elas em seu coração.
Na contemplação, Deus nasce em nós, não sabemos de que modo, mas, de alguma maneira, sentimos a angústia do nascimento e do crescimento substituindo o ciclo do desejo.
O Advento faz sentido porque o crescimento representa a vida se revelando e se desdobrando em novos níveis de experiência e sentido. Preocupações diárias, lidar com as coisas, planejar contingências, fazer pausas para para escapar do trabalho penoso, tudo faz parte de um mesmo nível. É literalmente o nível em que sucesso e fracasso são o que parecem por serem rotulados desse modo pelos outros. Mas um outro nível se manifesta onde todos estes julgamentos e atividades também parecem simbólicos, refletindo outra dimensão da realidade, expressando uma nova maneira de ser, uma autoconsciência renovada que nos impulsiona de um mundo torturado pelo julgamento e pela insatisfação para um reino repleto das maravilhas da troca de graças e da inocência verdadeira, não sentimental.
A construção de tudo isso requer paciência e a arte contemplativa da espera. Nós perdemos esta arte da sabedoria prática no mundo moderno, mas a meditação a restaura. Um Advento contemplativo vai trazer de volta para nós o encanto do Natal, nos poupando do tédio do puro consumismo.
Nos tornamos pacientemente conscientes do que estamos esperando na medida em que se precipita sobre nós através dos espaços interestelares, acolhido em nós, ansioso por nós, desejando-nos, transformando nossa maneira de desejar e o que sejamos à medida em que nos tornamos mais conscientes disso de modo mais intenso.
Emily Dickinson se perguntava:
Como será que a Notícia se sente enquanto viaja
Se é que Notícia tem coração
aterrizando na moradia
Até adentrar como um Dardo?
Nós somos humildes criaturas de desejo. Então, nos limitamos a repetir o ciclo de dor e prazer até que compreendamos que nós também somos desejados. O que realmente ansiamos, o que amor que nos criou, já nos foi direcionado. É por isso que ansiamos por ele. É o que ansiamos porque Deus anseia por nós.

COLETA PELA MISSÃO - pedido do Arcebispo de Cantuária Justin Welby para q´ todos os Anglicanos orem pela Nova Evangelização até o próximo Domingo de Pentecostes - 4 de junho de 2017.

Ó Deus de todas as nações da terra, lembra-te das multidões que foram criadas à tua imagem e não conhecem a obra redentora de Jesus Cristo, nosso Salvador; concede-lhes que, pelas orações e trabalho de tua Santa Igreja, Te conheçam e Te adorem como foste revelado em teu Filho, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém. (Coleta do LOC, p. 151)



NOTÍCIAS ANGLICANAS

ENCONTRO DE CORAIS NA IGREJA ANGLICANA - Aos domingos às 17h,  haverá apresentação de corais e preparação para o Natal do Senhor. Próximas apresentações 04 de Dezembro. Coral Splendore, Coral OAB, e Madrigal Primavera; e 11 de dezembro, Grupo Vozes, Coral Celebration, e Celebration Kids;

CHRISTINGLE - Anualmente nos preparamos para o Natal com uma Ação Solidária para as Crianças, em 2016 será no dia 18 de dezembro durante a Missa. Serão entregues roupas, calçados e brinquedos para cerca de 50 crianças selecionadas pele Equipe do Projeto Anjos de Natal com o apoio dos paroquianos e amigos da Igreja Anglicana de Santos.  

GRUPO DE ORAÇÃO ANGLICANO - Uma forma simples e prática para viver os ensinamentos de Jesus Cristo para os dias de Hoje. Todas as quartas-feiras às 19h45 (exceto a segunda quarta-feira do mês).  Envie seu pedido de oração pelo e-mail: contato@igrejaanglicana.net 

NOVO ANO LITÚRGICO - No último dia 27 de novembro iniciamos o LECIONÁRIO ANO A do calendário cristão Anglicano, p. 409 do Livro de Oração Comum, para nossas leituras bíblicas dominicais e LECIONÁRIO ANO 1 p. 441 para as leituras bíblicas durante a semana. 

S.O.S. HAITI - Você pode fazer a sua doação para Banco do Brasil Agência: 3475-4 Conta-Corrente: 59.000-2  Mais informações acesse o site da Caritas Brasileira, www.caritas.org.br ou ligue (61) 3214-5400.


Reverendo Leandro Campos 
25º Pároco
All Saints´ Church

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22 de dezembro de 2016 Saudações em Nome de Jesus, a Palavra feita carne, o Emanuel, que veio para habitar entre nós, pela acção de Deus e pela obediência da sua Bem-aventurada Mãe, a portadora de Deus. Em Novembro, visitei o Paquistão para expressar a minha solidariedade com as comunidades Cristãs espalhadas por esse país, que tanto têm sofrido nos últimos anos. Recordamos o massacre de inocentes que cultuavam a Deus no Domingo de Páscoa em 2016 na cidade de Lahore, e antes disso, os ataques em Peshawar no Natal de 2013 e muitos outros incidentes. Esses ataques estavam pensados não apenas para infligir um forte sofrimento, mas também para semear o medo no coração dos Cristãos e de outras comunidades minoritárias. Durante a minha visita falei com alguns dos sobreviventes desses ataques, e senti-me muito comovido e humilde diante da sua extraordinária coragem ao continuarem a ser fieis em testemunhar a sua fé em Jesus. Diziam que agora sabiam mais do que nunca que Jesus é o Bom Pastor…