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Relatório Episcopal para o 43º Concílio da Diocese Anglicana de São Paulo.



Caros Irmãos e Irmãs em Cristo,

Que a graça e a paz de Deus, o nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês.

Quase um ano já se passou desde minha consagração e instalação como seu bispo. Neste curto período, pude descobri que há diversas realidades na Comunhão Anglicana. Temos a realidade da Igreja na Inglaterra, outra da Igreja na África e nossa realidade aqui no Brasil.

Antes de ir para Lambeth fui visitar a Diocese de Chichester no sul da Inglaterra. Sua área geográfica não chegou a mais de 6.000 Km², ou seja, o tamanho de quatro cidades de São Paulo. Porém, tinha 554 Igrejas, 3 bispos e 270 clérigos nesta diocese. A nova catedral teve sua construção iniciada em 1075. A residência do bispo era um verdadeiro palácio construído no século 13. O escritório diocesano era uma beleza, com equipes para cuidar da parte administrativa, bem como, comunicação, missão e renovação, responsabilidade social, educação adulta, jovens, ministério ordenado, escolas e edifícios. O orçamento anual é em torno de R$ 40 milhões. É uma outra realidade. Porém dois pontos me chamaram a atenção. Em média cada clero cuida de duas paróquias e quase 1/3 do clero não recebe estipêndio, ou estão aposentados ou tem um emprego fora da Igreja.

A situação no continente africano é bem diferente. A Igreja não tem muitos recursos e precisa enfrentar os problemas gerados pelo HIV/AIDS e malária, com dezenas de pessoas morrendo a cada dia e o proselitismo dos muçulmanos Tem vilarejos que só têm idosos e crianças - todos os pais já morreram. A esposa de um bispo africano contou que se seu marido saísse uma manhã a pé para fazer visitas episcopais, e se tivesse um pouco de sorte, voltaria para casa dentro de um mês. Em Zimbábue, um bispo contou que a polícia chegou durante uma missa e expulsou todo mundo a pauladas. Tinha uma jovem que estava grávida de quatro meses que achou que os policias não fossem bater nela, considerando seu estado. Engano seu! Ela foi espancada e perdeu seu bebê. Duas semanas depois ela estava de volta a Igreja porque a única coisa que dava sentido à sua vida era Jesus Cristo. Uma outra realidade.

E temos a realidade da nossa Igreja aqui no Brasil. Sem dúvida alguma, é uma Igreja pequena e frágil, porém uma Igreja com grande potencialidade de crescer e proclamar as Boas novas de Jesus Cristo do jeito Anglicano. Somos uma Igreja que não impõe restrições, mas uma Igreja aberta e inclusiva. Porém, somos fiéis ao Evangelho e não aceitamos qualquer tipo de comportamento.

A área geográfica da nossa diocese é um pouco maior que a do Reino Unido. Por outro lado, nossa diocese somente conta com 15 paróquias, 3 missões e 6 pontos missionários, o tamanho de um “Parish” (sub-subdivisão de uma diocese na Inglaterra). Precisamos crescer, mas antes disso precisamos fortalecer nossas comunidades atuais para ter o sustento inicial para criar novas missões.

Tinha três metas principais para este primeiro ano do meu episcopado. Minha prioridade era conhecer todas as Igrejas e missões da Diocese. Consegui visitar quase todas e aquelas que não visitei já estamos com uma visita programada, com exceção de Cristo Redentor, em Ribeirão Pires. Nestas visitas confirmei 195 pessoas (sendo 164 na Catedral) e recebi 166 pessoas (sendo 118 na Catedral). Na maioria das visitas tive a oportunidade de conversar com a junta paroquial ou conselho de missão para conhecer melhor os planos e os desafios de cada comunidade. Realmente temos várias paróquias com problemas que precisam ser resolvidos ainda este ano.

Continuamos treinando pessoas para o ministério através das aulas do IAET (Instituto Anglicano de Estudos Teológicos) e a Jornada Teológica promovida pelo IAET. Introduzimos o programa VIA (Vivendo a Identidade Anglicana) que é direcionado aos leigos das paróquias. Domingo passado tive o prazer de assistir a diplomação da primeira turma do projeto VIA na Paróquia de São João. É importante que as paróquias implantem o projeto em suas comunidades. A Catedral continua realizando o Cursilho que é um excelente meio de fortalecer a fé Cristã e também o EMA (Encontro Matrimonial Anglicano) que fortaleça os laços conjugais. Em 2009, quero introduzir o Curso Alfa na diocese. O Curso Alfa foi desenvolvido por um ministro anglicano na Inglaterra e já foi assistido por mais de nove milhões de pessoas no mundo inteiro. Os DVDs do curso estão sendo dublados em Português e estarão disponíveis no final deste ano.

A terceira meta é mudar o plano de contas da Diocese para tornar os relatórios financeiros mais transparentes e compreensíveis. Queríamos iniciar este trabalho para apresentar os dados em novo formato para este concílio, mas não foi possível. Um dos problemas é conciliar os diversos fundos para assegurar que seus valores estão corretos, o que exige um retorno para verificação de dados de dois ou mais anos atrás. Com certeza os relatórios financeiros do próximo concílio estarão neste novo formato.

Na Conferência de Lambeth conversei com vários bispos sobre ajuda financeira. Todas afirmaram que projetos para obras sociais ou trabalhos missionários seriam considerados, porém projetos para a sustentação de ministros ou paróquias não terão êxito.

Embora várias paróquias tenham projetos sociais, existem três projetos oficiais na diocese:
• A “Casa Dia” em Araçatuba, que cuida de jovens em processo de recuperação da dependência química. Este trabalho está empenhado em se tornar auto-sustentável com a implantação de tele-marketing para maior divulgação. Várias melhorias na infra-estrutura estão sendo realizadas, graças às doações da nossa diocese companheira, Pensilvânia Central. Esta diocese submeteu um projeto para “Casa Dia” à Oferta Unida de Gratidão nos Estados Unidos e o projeto foi contemplado com US$ 25.000.
• A escola ligada à Paróquia de Santo André, em Pereira Barreto, que atende em torno de 40 crianças.
• O Instituto Anglicano que é dirigido pela Catedral que atualmente atende 300 crianças em duas creches. O Instituto recebeu um terreno da prefeitura para construir a terceira unidade e está desenvolvendo um ambicioso e louvável projeto para atender mais 1000 crianças.

Uma coisa que aprendi na Conferência de Lambeth é nunca duvidar do poder do Espírito Santo. Ele foi muito presente e poderoso durante toda conferência. Que o Espírito Santo de Deus nos ilumine para que a nossa Igreja seja uma presença solidária e efetiva na sociedade, para que realizando a Missão de Deus, as pessoas ao nosso redor tenham vida em plenitude e o Reinado de Deus não seja apenas um sonho!

Que o Senhor nos abençoe.

São Paulo, 16 de agosto de 2008.

Dom Roger Bird

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