segunda-feira, 6 de maio de 2013

Eleição fraudulenta para bispo de São Paulo foi motivo de conflito interno na Igreja 

Bispo Primaz Emérito, Dom Glauco Soares, fala sobre a atual situação da IEAB

Em tempos que acompanhamos escândalos de corrupções, autoritarismo e brigas entre poderes tanto no Brasil como em outros países, é possível ver que as relações entre pessoas e instituições estão cada vez mais abaladas e fragilizadas. Isso até poderia ser previsível em um ambiente capitalista e político, pois a sociedade está inserida nesse sistema, mas o que não imaginamos ou não ficamos informados são dos conflitos que ocorrem nas instituições religiosas.
Desde setembro do ano passado, a Diocese Anglicana de São Paulo (Dasp), da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) vem sofrendo com esse mal que já tomou conta da política e que agora se instala na Igreja. Durante o Concilio da Diocese Anglicana de São Paulo, no dia 8 de setembro de 2012, em que o Reverendo Flávio Irala teria sido eleito como bispo, com 19 votos contra 18 entre os leigos e 15 contra 13 votos entre os clérigos, foi descoberto que a eleição tinha sido fraudulenta e com inúmeras irregularidades.
Na segunda-feira (6/5) o Bispo Primaz Emérito, Dom Glauco Soares de Lima, escreveu uma carta em que faz revelações e avalia a situação em que a IEAB se encontra. Em alguns trechos, Dom Glauco conta como recebeu a notícia do resultado da eleição episcopal. “No dia seguinte (09/09/12) soube que tal eleição havia sido maculada por inúmeras irregularidades tais como fraudes, coações, ameaças a alguns eleitores. Acresça-se a isso a exígua maioria simples nas duas ordens, o que, convenhamos, embora canônica, não deveria existir na escolha de um bispo que é líder e pastor de toda uma Diocese, o que independentemente de nomes, deve supor um consenso que só uma maioria absoluta (montante de 2/3) deveria proporcionar” afirmou.
A partir da descoberta de fraude eleitoral que ocorreu na eleição do bispo diocesano de SP, iniciaram-se os conflitos, com ofensas e insultos por parte dos clérigos a favor do Rev. Flávio Irala contra os reverendos e o bispo Roger Bird, na época bispo da diocese, que queriam a anulação da eleição pacificamente.
“Depois disso, o que tem havido através da internet foram acusações e baixarias em linguagem sórdida e vil que eu não admitiria nem entre pessoas civilizadas, quanto mais entre cristãos. Diga-se, de passagem, que estas ofensas e insultos, em sua maioria, partiram de pessoas da igreja oficial, tanto da diocese, como de outras partes”, explicou o Bispo Glauco.
Segundo o parecer da Comissão e Cânones da IEAB, presidida por Dom Filadelfo de Oliveira, a eleição foi considerada legal, pois as irregularidades deveriam ter sido apresentadas antes da votação e não depois.
Diante desse impasse, os reverendos Aldo Quintão (Catedral Anglicana de São Paulo) e Rogério de Assis (Paróquia de São Lucas) procuram respaldo judicial para que a eleição fosse cancelada. Com base nas provas que apresentaram, a Justiça de São Paulo concedeu liminar aos requerentes, anulando o concílio e a eleição.
Conforme a decisão judicial, a IEAB não teve alternativa a não ser acatar. Assim, o Bispo Primaz da IEAB, Maurício de Andrade, assinou um documento registrado em cartório, com o cancelamento do concílio. Porém, a Igreja contrariada com a postura dos reverendos que procuram a Justiça, decidiu puni-los, pois segundo a instituição o impasse deveria ser resolvido internamente, sem nenhum tipo de exposição.
De acordo com Dom Glauco, a IEAB encontra-se doente e isto contamina os membros da instituição, como leigos, reverendos e até mesmo os bispos. “Ora, tudo isso é doença. Doença existencial, o que tristemente me faz constatar que a minha querida IEAB está doente e decadente. Está doença atinge desde a cúpula (Câmara dos Bispos) até a sua base, ou seja, clérigos e leigos que, sem estarem bem informados, fizeram julgamento sobre seus irmãos a quem consideram cismáticos”, informou Dom Glauco.
Assim como o Reverendo Aldo Quintão, Dom Glauco relata que vem sofrendo retaliações devido o apoio que presta ao grupo que foi considerado cismático por ter levantado a fraude dentro da Igreja. “Como consequência de tudo isso, decidi apoiar os dissidentes, visto que, acima de tudo, eu sou pastor e nesta hora difícil, fiquei ao lado daqueles para quem eu sou amigo e que estão sob os meus cuidados pastorais. Por conta os ódios se voltaram contra mim também. Fizeram-me acusações às quais não respondo, pois estou em paz com a minha consciência e com Deus” concluiu o ex Primaz.
Nasce uma nova esperança
Sem condições de permanecerem na IEAB, após o ocorrido, clérigos de várias regiões do país (num total de 25 pessoas) se reuniram em um Retiro no dia 1º de maio, na Catedral Anglicana de São Paulo, em que decidiram fundar uma nova diocese, que adotou o nome de “Diocese do Movimento Anglicano no Brasil” (DMAB). No mesmo dia ocorreu a eleição do bispo diocesano e do conselho administrativo.
A Diocese do Movimento Anglicano no Brasil começa com quatro paróquias entre elas estão: Comunidade Anglicana de Goiânia-GO (Rev. Luiz Alberto); Comunidade Anglicana de Curitiba-PR (Rev. Jerson Darif); Comunidade Anglicana de Todos os Santos, Santos-SP (Rev. Rogério de Assis e Rev. Leandro Campos); e Catedral Anglicana de São Paulo (Deão Aldo Quintão e Rev. Regis Domingues). Além de sete missões nos estados do Paraná e de São Paulo, nas cidades de São José dos Pinhais-PR, Apucarana-PR, Botucatu-SP, Rio Claro-SP, Lins-SP, Araras-SP e Araçatuba-SP.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

.

Campanha de Oração pela Missão Anglicana

Meu querido irmão,  De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população santista era composta naquele ano por: ...