segunda-feira, 6 de maio de 2013

Eleição fraudulenta para bispo de São Paulo foi motivo de conflito interno na Igreja 

Bispo Primaz Emérito, Dom Glauco Soares, fala sobre a atual situação da IEAB

Em tempos que acompanhamos escândalos de corrupções, autoritarismo e brigas entre poderes tanto no Brasil como em outros países, é possível ver que as relações entre pessoas e instituições estão cada vez mais abaladas e fragilizadas. Isso até poderia ser previsível em um ambiente capitalista e político, pois a sociedade está inserida nesse sistema, mas o que não imaginamos ou não ficamos informados são dos conflitos que ocorrem nas instituições religiosas.
Desde setembro do ano passado, a Diocese Anglicana de São Paulo (Dasp), da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) vem sofrendo com esse mal que já tomou conta da política e que agora se instala na Igreja. Durante o Concilio da Diocese Anglicana de São Paulo, no dia 8 de setembro de 2012, em que o Reverendo Flávio Irala teria sido eleito como bispo, com 19 votos contra 18 entre os leigos e 15 contra 13 votos entre os clérigos, foi descoberto que a eleição tinha sido fraudulenta e com inúmeras irregularidades.
Na segunda-feira (6/5) o Bispo Primaz Emérito, Dom Glauco Soares de Lima, escreveu uma carta em que faz revelações e avalia a situação em que a IEAB se encontra. Em alguns trechos, Dom Glauco conta como recebeu a notícia do resultado da eleição episcopal. “No dia seguinte (09/09/12) soube que tal eleição havia sido maculada por inúmeras irregularidades tais como fraudes, coações, ameaças a alguns eleitores. Acresça-se a isso a exígua maioria simples nas duas ordens, o que, convenhamos, embora canônica, não deveria existir na escolha de um bispo que é líder e pastor de toda uma Diocese, o que independentemente de nomes, deve supor um consenso que só uma maioria absoluta (montante de 2/3) deveria proporcionar” afirmou.
A partir da descoberta de fraude eleitoral que ocorreu na eleição do bispo diocesano de SP, iniciaram-se os conflitos, com ofensas e insultos por parte dos clérigos a favor do Rev. Flávio Irala contra os reverendos e o bispo Roger Bird, na época bispo da diocese, que queriam a anulação da eleição pacificamente.
“Depois disso, o que tem havido através da internet foram acusações e baixarias em linguagem sórdida e vil que eu não admitiria nem entre pessoas civilizadas, quanto mais entre cristãos. Diga-se, de passagem, que estas ofensas e insultos, em sua maioria, partiram de pessoas da igreja oficial, tanto da diocese, como de outras partes”, explicou o Bispo Glauco.
Segundo o parecer da Comissão e Cânones da IEAB, presidida por Dom Filadelfo de Oliveira, a eleição foi considerada legal, pois as irregularidades deveriam ter sido apresentadas antes da votação e não depois.
Diante desse impasse, os reverendos Aldo Quintão (Catedral Anglicana de São Paulo) e Rogério de Assis (Paróquia de São Lucas) procuram respaldo judicial para que a eleição fosse cancelada. Com base nas provas que apresentaram, a Justiça de São Paulo concedeu liminar aos requerentes, anulando o concílio e a eleição.
Conforme a decisão judicial, a IEAB não teve alternativa a não ser acatar. Assim, o Bispo Primaz da IEAB, Maurício de Andrade, assinou um documento registrado em cartório, com o cancelamento do concílio. Porém, a Igreja contrariada com a postura dos reverendos que procuram a Justiça, decidiu puni-los, pois segundo a instituição o impasse deveria ser resolvido internamente, sem nenhum tipo de exposição.
De acordo com Dom Glauco, a IEAB encontra-se doente e isto contamina os membros da instituição, como leigos, reverendos e até mesmo os bispos. “Ora, tudo isso é doença. Doença existencial, o que tristemente me faz constatar que a minha querida IEAB está doente e decadente. Está doença atinge desde a cúpula (Câmara dos Bispos) até a sua base, ou seja, clérigos e leigos que, sem estarem bem informados, fizeram julgamento sobre seus irmãos a quem consideram cismáticos”, informou Dom Glauco.
Assim como o Reverendo Aldo Quintão, Dom Glauco relata que vem sofrendo retaliações devido o apoio que presta ao grupo que foi considerado cismático por ter levantado a fraude dentro da Igreja. “Como consequência de tudo isso, decidi apoiar os dissidentes, visto que, acima de tudo, eu sou pastor e nesta hora difícil, fiquei ao lado daqueles para quem eu sou amigo e que estão sob os meus cuidados pastorais. Por conta os ódios se voltaram contra mim também. Fizeram-me acusações às quais não respondo, pois estou em paz com a minha consciência e com Deus” concluiu o ex Primaz.
Nasce uma nova esperança
Sem condições de permanecerem na IEAB, após o ocorrido, clérigos de várias regiões do país (num total de 25 pessoas) se reuniram em um Retiro no dia 1º de maio, na Catedral Anglicana de São Paulo, em que decidiram fundar uma nova diocese, que adotou o nome de “Diocese do Movimento Anglicano no Brasil” (DMAB). No mesmo dia ocorreu a eleição do bispo diocesano e do conselho administrativo.
A Diocese do Movimento Anglicano no Brasil começa com quatro paróquias entre elas estão: Comunidade Anglicana de Goiânia-GO (Rev. Luiz Alberto); Comunidade Anglicana de Curitiba-PR (Rev. Jerson Darif); Comunidade Anglicana de Todos os Santos, Santos-SP (Rev. Rogério de Assis e Rev. Leandro Campos); e Catedral Anglicana de São Paulo (Deão Aldo Quintão e Rev. Regis Domingues). Além de sete missões nos estados do Paraná e de São Paulo, nas cidades de São José dos Pinhais-PR, Apucarana-PR, Botucatu-SP, Rio Claro-SP, Lins-SP, Araras-SP e Araçatuba-SP.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Os Trinta e Nove Artigos da Religião




ARTIGO I – DA FÉ NA SANTÍSSIMA TRINDADE.
Há um único Deus, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, sem partes nem paixões[1], de infinito poder, sabedoria e bondade; Criador e Conservador[2] de todas as coisas visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três Pessoas, da mesma substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.
ARTIGO II – DO VERBO OU FILHO DE DEUS, QUE SE FEZ VERDADEIRO HOMEM
O Filho, que é o Verbo do Pai, gerado ab aeterno[3] do Pai, verdadeiro e sempiterno Deus, e consubstancial com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita Virgem e da Sua substância; de sorte que as duas inteiras e perfeitas Naturezas, isto é, Divina e Humana, se reuniram em uma Pessoa, para nunca mais se separarem, das quais resultou Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; que verdadeiramente padeceu, foi crucificado, morto e sepultado, para reconciliar Seu Pai conosco, e ser vítima não só pela culpa original, mas também pelos atuais pecados dos homens.
ARTIGO III – DA DESCIDA DE CRISTO AO HADES.
Assim como Cristo morreu por nós, e foi sepultado; assim também deve ser crido que desceu ao Hades.
ARTIGO IV – DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO.
Cristo verdadeiramente ressurgiu dos mortos e tomou de novo o Seu corpo, com carne, ossos e tudo o mais pertencente à perfeição da natureza humana; com o que subiu ao Céu, e lá está assentado, até que volte a julgar todos os homens, no derradeiro dia.
ARTIGO V – DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, é da mesma substância, majestade e glória que o Pai e o Filho, verdadeiro e eterno Deus.
ARTIGO VI - DA SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS SAGRADAS PARA A SALVAÇÃO
A Escritura Sagrada contém todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma seja crido como artigo de Fé ou julgado como requerido ou necessário para a salvação. Pelo nome de Escritura Sagrada entendemos os Livros canônicos do Velho e Novo Testamentos, de cuja autoridade jamais houve qualquer dúvida na Igreja.
DOS NOMES E NÚMEROS DOS LIVROS CANÔNICOS

Gênesis
Primeiro Livro de Reis
Eclesiastes ou Pregador
Êxodo
Segundo Livro de Reis
Cântico dos Cânticos
Levítico
Primeiro Livro de Crônicas
Os quatro Profetas Maiores
Números
Segundo Livro de Crônicas
Os doze Profetas Menores.
Deuteronômio
Primeiro Livro de Esdras [4]
Josué
Segundo Livro de Esdras [5]
Juizes
Ester
Rute
Primeiro Livro de Samuel
Salmos
Segundo Livro de Samuel
Provérbios

E os outros Livros (como diz Jerônimo) a Igreja os lê para exemplo de vida e instrução de costumes; mas não os aplica para estabelecer doutrina alguma; tais são os seguintes:
Terceiro livro de Esdras
De Bel e o Dragão
Quarto Livro de Esdras
Oração de Manassés
Livro de Tobias
Segundo Livro de Macabeus
Livro de Judite
O restante dos livros de Ester
Livro da Sabedoria
Jesus, filho de Sirac

O Profeta Baruch

O Cântico dos Três Mancebos

A história de Suzana 

Recebemos e contamos por canônicos todos os Livros do Novo Testamento, como são comumente recebidos.
ARTIGO VII – DO VELHO TESTAMENTO
O Velho Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto Velho como Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem sendo ele mesmo Deus e homem. Portanto não devem ser ouvidos os que pretendem que os antigos pais só esperaram promessas transitórias. Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devem ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento, da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.
ARTIGO VIII – DOS CREDOS [6]
O Credo Niceno e o que ordinariamente se chama Símbolo dos Apóstolos[7] devem ser inteiramente recebidos e cridos; porque se podem provar com autoridade muito certas da Escritura Sagrada.
ARTIGO IX – DO PECADO ORIGINAL
O pecado original não consiste na imitação de Adão (como vãmente pregado pelos Pelagianos); é, porém, a falta e corrupção da Natureza de todo o homem gerado naturalmente da semente de Adão; pelas quais o homem dista muitíssimo da retidão original e é de sua própria natureza inclinado ao mal, de sorte que toda a carne sempre cobiça contra o espírito; e, por isso, toda pessoa que nasce neste mundo merece a ira e condenação de Deus. E esta infecção[8] da natureza ainda permanece também nos que são regenerados, pela qual o apetite carnal chamado em grego Phrônema sarkós (que uns interpretam sabedoria, outros sensualidade, outros afeição e outros desejo carnal), não sujeito à Lei de Deus e apesar de que não há condenação para os que crêem e são batizados, contudo o Apóstolo confessa que a concupiscência e luxúria têm de si mesmas a natureza do pecado.
ARTIGO X – DO LIVRE ARBÍTRIO
A condição do homem depois da queda de Adão é tal que ele não pode converter-se e preparar-se a si mesmo por sua própria força natural e boas obras, para a fé e invocação a Deus. Portanto não temos o poder de fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus, sem que a graça de Deus por Cristo nos previna[9], para que tenhamos boa vontade, e coopere conosco enquanto temos essa boa vontade.
ARTIGO XI – DA JUSTIFICAÇÃO DO HOMEM
Somos reputados justos perante Deus, somente pelo mérito do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pela Fé, e não por nossos próprios merecimentos e obras. Portanto, é doutrina mui saudável e cheia de consolação a de que somos justificados somente pela Fé, como se expõe mais amplamente na Homília da Justificação.
ARTIGO XII – DAS BOAS OBRAS
Ainda que as boas obras, que são os frutos da Fé, e seguem a Justificação, não possam expiar os nosso pecados, nem suportar a severidade do Juízo de Deus; são, todavia, agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo, e brotam necessariamente duma verdadeira e viva Fé; tanto que por elas se pode conhecer tão evidentemente uma fé viva como uma árvore se julga pelo fruto.
ARTIGO XIII – DAS OBRAS ANTES DA JUSTIFICAÇÃO
As obras feitas antes da graça de Cristo, e da inspiração do seu espírito[10], não são agradáveis a Deus, porquanto não procedem da fé em Jesus Cristo; nem fazem os homens dignos de receber a graça, nem (como dizem os autores escolásticos) merecem a graça de côngruo; muito pelo contrário visto que elas não são feitas como Deus quis e ordenou que fossem feitas, não duvidamos terem elas a natureza do pecado.
ARTIGO XIV – DAS OBRAS DE SUPEREROGAÇÃO
As obras voluntárias, que excedem os Mandamentos de Deus, e que se chamam Obras de Supererogação, não se pode ensinar sem arrogância e impiedade; porque por elas declaram os homens que não só rendem a Deus tudo a que são obrigados, mas também a favor dele fazem mais do que, como rigoroso dever, lhes é requerido; ainda que Cristo claramente disse: Quando tiveres feito tudo o que vos está ordenado dizei: Somos servos inúteis.
ARTIGO XV – DE CRISTO, ÚNICO SEM PECADO
Cristo, na verdade de nossa natureza foi feito semelhante a nós em todas as coisas exceto no pecado, do qual foi totalmente isento, tanto na sua carne como no Seu espírito. Ele veio para ser o Cordeiro imaculado, que, pelo sacrifício de si mesmo uma vez oferecido tirasse os pecados do mundo; e o pecado (como diz S. João) não estava nele. Porém nós, os demais homens, posto que batizados, e nascidos de novo em Cristo, ainda pecamos em muitas coisas; e se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos, e não há verdade em nós.
ARTIGO XVI – DO PECADO DEPOIS DO BATISMO
Nem todo pecado mortal voluntariamente cometido depois do Batismo é pecado contra o Espírito Santo, e irremissível. Pelo que não se deva negar a graça do arrependimento aos que tiverem caído em pecado depois do Batismo. Depois de termos recebido o Espírito Santo, podemos apartar-nos da graça concedida, e cair em pecado, e pela graça de Deus levantar-nos de novo e emendar nossas vidas. Devem, portanto, ser condenados os que dizem que já não podem pecar mais, enquanto aqui vivem, ou os que negam a oportunidade de perdão às pessoas verdadeiramente arrependidas.
ARTIGO XVII – PREDESTINAÇÃO E ELEIÇÃO
A predestinação para a vida é o eterno propósito de Deus, pelo qual (antes de lançados os fundamentos do mundo) tem constantemente decretado por seu conselho, a nós oculto, livrar da maldição e condenação os que elegeu em Cristo dentre o gênero humano, e conduzi-los por Cristo à salvação eterna, como vasos feitos para a honra. Por isso os que se acham dotados de um tão excelente benefício de Deus, são chamados segundo o propósito de Deus, por seu Espírito operando em tempo devido; pela graça obedecem à vocação; são justificados gratuitamente; são feitos filhos de Deus por adoção; são criados conforme à imagem de Seu Unigênito Filho Jesus Cristo; vivem religiosamente em boas obras, e enfim chegam, pela misericórdia de Deus, à felicidade eterna.
Assim como a pia consideração da Predestinação, e da nossa Eleição em Cristo, é cheia de um doce, suave, e inexplicável conforto para as pessoas devotas, e os que sentem em si mesmos a operação do Espírito de Cristo, mortificando as obras da carne, e seus membros terrenos, e levantando o seu pensamento às coisas altas e celestiais, não só porque muito estabelece e confirma a sua fé na salvação eterna que hão de gozar por meio de Cristo, mas porque veemente acende o seu amor para com Deus; assim para as pessoas curiosas e carnais, destituídas do Espírito de Cristo, o ter de contínuo diante dos seus olhos a sentença da Predestinação de Deus, é um princípio muitíssimo perigoso, por onde o Diabo as arrasta ao desespero, ou a que vivam numa segurança de vida impuríssima, não menos perigosa que a desesperação.
Além disso devemos receber as promessas de Deus de modo que nos são geralmente propostas nas Escrituras Sagradas; e seguir em nossas obras a Vontade de Deus, que nos é expressamente declarada na Sua Palavra.
ARTIGO XVIII – DE OBTER A SALVAÇÃO ETERNA UNICAMENTE PELO NOME DE CRISTO
Devem ser também tidos por amaldiçoados os que se atrevem a dizer que todo o homem será salvo pela lei ou seita que professa, contanto que seja cuidadoso em modelar sua vida segundo essa lei e o lume da natureza. Porque a Escritura Santa somente nos propõe o Nome de Jesus Cristo, como único meio pelo qual os homens se hão de salvar.
ARTIGO XIX – DA IGREJA
A Igreja visível de Cristo é uma congregação de fiéis, na qual é pregada a pura Palavra de Deus, e são devidamente administrados os Sacramentos conforme à Instituição de Cristo em todas as coisas que necessariamente se requerem neles.
Assim como a Igreja de Jerusalém, de Alexandria, e de Antioquia erraram; assim também a Igreja de Roma errou, não só quanto às suas práticas, ritos e cerimônias, mas também em matéria de fé.
ARTIGO XX – DA AUTORIDADE DA IGREJA
A Igreja tem poder de decretar Ritos ou Cerimônias, e autoridade nas controvérsias da Fé, todavia não é lícito à Igreja ordenar coisa alguma contrária à Palavra de Deus escrita, nem expor um lugar da Escritura de modo que repugne a outro. Portanto, se bem que a Igreja seja testemunha e guarda da Escritura Sagrada, todavia, assim como não é lícito decretar coisa alguma contra ela, também não se deve obrigar a que seja acreditada coisa alguma, que nela não se encontra, como necessária para a salvação.
ARTIGO XXI – DA AUTORIDADE DOS CONCÍLIOS GERAIS [11]
[O vigésimo primeiro artigo dos precedentes é omitido porque é, em parte, dum caráter local e civil, e é provido, no tocante às restantes partes dele, em outros artigos.]
ARTIGO XXII– DO PURGATÓRIO
A doutrina romana relativa ao Purgatório, Indulgências, Veneração e Adoração tanto de imagens como de relíquias, e também à invocação dos Santos, é uma coisa fútil e vãmente inventada, que não se funda em testemunho algum da Escritura, mas ao contrário repugna à Palavra de Deus.
ARTIGO XXIII – DA MINISTRAÇÃO NA IGREJA
A ninguém é lícito tomar sobre si o cargo de pregar publicamente, ou administrar os Sacramentos na Congregação, antes que seja legalmente chamado, e enviado a executá-lo. E devemos julgar por legalmente chamados e enviados aqueles que tiverem sido escolhidos e chamados para esta obra pelos homens revestidos publicamente de autoridade, dada a eles na Congregação, para chamar e enviar Ministros à Vinha do Senhor.
ARTIGO XXIV – DA LÍNGUA VERNÁCULA DO CULTO
Repugna evidentemente à Palavra de Deus, e ao uso da Igreja Primitiva dizer Orações Públicas na Igreja, ou administrar os Sacramentos em língua que o povo não entende.
ARTIGO XXV – DOS SACRAMENTOS
Os Sacramentos instituídos por Cristo não são unicamente designações ou indícios da profissão dos Cristãos, mas antes testemunhos certos e firmes, e sinais eficazes da graça, e da boa vontade de Deus para conosco pelos quais ele opera invisivelmente em nós, e não só vivifica, mas também fortalece e confirma a nossa fé nele.
São dois os Sacramentos instituídos por Cristo nosso Senhor no Evangelho, isto é, o Batismo e a Ceia do Senhor.
Os cinco vulgarmente chamados Sacramentos, isto é, Confirmação, Penitência, Ordens, Matrimônio, e Extrema Unção, não devem ser contados como Sacramento do Evangelho, tendo em parte emanado duma viciosa imitação dos Apóstolos, e sendo em parte estados de vida aprovados nas Escrituras; não tem, contudo, a mesma natureza de Sacramentos peculiar ao Batismo e à Ceia do Senhor, porque não tem sinal algum visível ou cerimônia instituída por Deus.
Os Sacramentos não foram instituídos por Cristo para servirem de espetáculo, ou serem levados em procissão, mas sim para devidamente os utilizarmos. E só nas pessoas que dignamente os recebem é que produzem um saudável efeito ou operação; mas os que indignamente os recebem adquirem para si mesmos a condenação, como diz São Paulo.
ARTIGO XXVI – DA INDIGNIDADE DOS MINISTROS, A QUAL NÃO IMPEDE O EFEITO DOS SACRAMENTOS
Ainda que na Igreja visível os maus sempre estejam misturados com os bons, e às vezes os maus tenham a principal autoridade na Administração da Palavra e dos Sacramentos; todavia, como o não fazem em seu próprio nome, mas no de Cristo, e em comissão e por autoridade dele administram, podemos usar do seu Ministério, tanto em ouvir a Palavra de Deus, como em receber os Sacramentos. Nem o efeito da ordenança de Cristo é tirado pela sua iniqüidade, nem a graça dos dons de Deus diminui para as pessoas que com fé e devidamente recebem os Sacramentos que se lhe administram; os quais são eficazes por causa da instituição e promessa de Cristo, apesar de serem administrados por homens maus.
Não obstante, à disciplina da Igreja pertence que se inquira acerca dos Ministros maus, e que sejam estes acusados por quem tenha conhecimento de seus crimes; e sendo, enfim, reconhecidos culpados, sejam depostos mediante justa sentença.
ARTIGO XXVII – DO BATISMO
O Batismo não só é um sinal de profissão e marca de diferença, com que se distinguem os Cristãos dos que o não são, mas também um sinal de Regeneração ou Nascimento novo, pelo qual, como por instrumento, os que recebem o Batismo devidamente, são enxertados na Igreja; as promessas da remissão dos pecados, e da nossa adoção como filhos de Deus pelo Espírito Santo, são visivelmente marcadas e seladas, a Fé é confirmada, e a Graça aumentada por virtude da oração de Deus.
O Batismo das crianças deve conservar-se de qualquer modo na Igreja como sumamente conforme à instituição de Cristo.
ARTIGO XXVIII – DA CEIA DO SENHOR
A Ceia do Senhor não só é um sinal de mútuo amor que os cristãos devem ter uns para com os outros; mas antes é um Sacramento da nossa Redenção pela morte de Cristo, de sorte que para os que devida e dignamente, e com fé o recebem, o Pão que partimos é uma participação do Corpo de Cristo; e de igual modo o Cálice de Bênção é uma participação do Sangue de Cristo.
A Transubstanciação (ou mudança da substância do Pão e Vinho) na Ceia do Senhor, não se pode provar pela Escritura Sagrada; mas antes repugna às palavras terminantes da Escritura, subverte a natureza do Sacramento, e tem dado ocasião a muitas superstições. O Corpo de Cristo é dado, tomado, e comido na Ceia, somente dum modo celeste e espiritual. E o meio pelo qual o Corpo de Cristo é recebido e comido na Ceia é a Fé.
O Sacramento da Ceia do Senhor não foi pela ordenança de Cristo reservado, nem levado em procissão, nem elevado, nem adorado.
ARTIGO XXIX – DOS ÍMPIOS, QUE NÃO COMEM O CORPO DE CRISTO NA CEIA DO SENHOR
Os ímpios, e os destituídos da fé viva, ainda que carnal e visivelmente comprimam com os dentes (como diz Santo Agostinho) o Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo; nem por isso são de maneira alguma participantes de Cristo: mas antes, para sua condenação, comem e bebem o sinal ou Sacramento de uma coisa tão importante.
ARTIGO XXX – DE AMBAS AS ESPÉCIES
O Cálice do Senhor não se deve negar aos Leigos; porque ambas as partes do Sacramento do Senhor, por instituição e ordem de Cristo, devem ser administradas a todos os cristãos igualmente.
ARTIGO XXXI – DA ÚNICA OBLAÇÃO DE CRISTO CONSUMADA NA CRUZ
A oblação de Cristo uma só vez consumada é a perfeita redenção, propiciação, e satisfação por todos os pecados, tanto originais como atuais, do mundo inteiro; e não há nenhuma outra satisfação pelos pecados, senão esta unicamente. Portanto os sacrifícios das Missas, nos quais vulgarmente se dizia que o Sacerdote oferecia Cristo para a remissão da pena ou culpa, pelos vivos ou mortos, são fábulas blasfemas e enganos perigosos.
ARTIGO XXXII – DO CASAMENTO DE SACERDOTES
Os Bispos, Presbíteros e Diáconos não são obrigados, por preceito algum da lei de Deus, a votar-se ao estado celibatário, ou abster-se do matrimônio; portanto é-lhes lícito, como aos demais Cristãos, casar como entenderem, se julgarem que isso lhes é mais útil à piedade.
ARTIGO XXXIII - COMO DEVEMOS EVITAR AS PESSOAS EXCOMUNGADAS
Aquele que por denúncia pública da Igreja for justamente separado da unidade da Igreja, e suspenso da Comunhão, deve ser tido por Pagão e Publicano por todos os fiéis, até que seja mediante penitência recebido nas Igreja por um juiz que tenha autoridade para isso.
ARTIGO XXXIV – DAS TRADIÇÕES DA IGREJA
Não é necessário que as tradições e Cerimônias sejam em toda parte as mesmas, ou totalmente semelhantes; porque em todos os tempos tem sido diversas, e podem ser alteradas segundo as diversidades dos países, tempo e costumes dos homens, contanto que nada se estabeleça contrário à Palavra de Deus. Todo aquele que por seu particular juízo, com ânimo voluntário e deliberado, quebrar manifestamente as Tradições e Cerimônias da Igreja, que não são contrárias à Palavra de Deus, e se acham estabelecidas e aprovadas pela autoridade comum, (para que outros temam fazer o mesmo), deve ser publicamente repreendido, como quem ofende a ordem comum da Igreja, fere a autoridade do Magistrado, e vulnera as consciência dos irmãos débeis.
Toda a Igreja particular ou nacional tem autoridade, para ordenar, mudar e abolir as Cerimônias ou Ritos da Igreja, instituídos unicamente pela autoridade humana, contanto que tudo se faça para edificação.
ARTIGO XXXV – DAS HOMÍLIAS
O Segundo livro das Homílias, cujos títulos reunimos abaixo deste artigo, contém doutrina pia, saudável e necessária para estes tempos, como também o primeiro livro das Homílias, publicado ao tempo de Eduardo VI; e portanto julgamos que devem ser lidas pelos Ministros, diligente e distintamente nas Igrejas, para que sejam entendidas pelo povo.
DOS NOMES DAS HOMÍLIAS
1. Do uso correto da Igreja.
2. Contra o perigo da idolatria.
3. Do reparo e asseio das Igrejas.
4. Das boas obras: principalmente jejum.
5. Contra a glutonaria e embriaguez.
6. Contra o luxo do vestuário.
7. Da oração
8. Do lugar e Templo da Oração.
9. De como Orações e Sacramentos se devem ministrar em língua conhecida
10. Da reverente estima à Palavra de Deus.
11. Das esmolas.
12. Da natividade de Cristo.
13. Da Paixão de Cristo.
14. Da ressurreição de Cristo.
15. Da digna recepção do Sacramento do Corpo de Cristo.
16. Dos dons do Espírito Santo.
17. Para os dias de Rogações.
18. Do estado do matrimônio.
19. Do arrependimento.
20. Contra a ociosidade.
21. Contra a rebelião.
[Este Artigo é recebido nesta Igreja enquanto declara que os livros das Homílias são explicações da doutrina cristã, e se destinam à instrução na piedade e moralidade. As referências à constituição e leis da Inglaterra são, porém, consideradas implacáveis às circunstâncias desta Igreja pelo que está suspensa também a ordem para leitura das referidas Homílias nas Igrejas, até que se proceda à revisão que se impõe, para livrá-las tanto de palavras obsoletas como das referências de natureza local.]
ARTIGO XXXVI – DA SAGRAÇÃO DE BISPOS E MINISTROS [12]
O livro da Sagração de Bispos, e Ordenação de Presbíteros e Diáconos, estabelecido pela Convenção Geral desta Igreja em 1792 contém tudo quanto é necessário para a referida Sagração e Ordenação; nem há nele coisa alguma que seja por si mesma supersticiosa e ímpia. E, por conseqüência, todos aqueles que são sagrados ou ordenados segundo a referida Fórmula, decretamos que todos eles são reta, canônica e legalmente ordenados.
ARTIGO XXXVII – DO PODER DOS MAGISTRADOS CIVIS [13]
O poder do Magistrado Civil estende-se a todos os homens, tanto Clérigo como Leigos, em todas as coisas temporais; porém não tem autoridade alguma em coisa puramente espirituais. E temos por dever de todos os homens que professam o Evangelho o renderem obediência respeitosa à Autoridade Civil, que é regular e legitimamente constituída.
ARTIGO XXXVIII - DE QUE NÃO SÃO COMUNS OS BENS ENTRE CRISTÃOS
As riquezas e bens dos cristãos não são comuns quanto ao direito, título e posse, como falsamente apregoam certos anabatistas. Todos, no entanto, das coisas que possuem devem dar liberalmente esmola aos pobres, segundo o seu poder.
ARTIGO XXXIX – DO JURAMENTO DUM CRISTÃO
Assim como confessamos que o Juramento vão e temerário é proibido aos cristãos por nosso Senhor Jesus Cristo, e por Tiago, seu apóstolo, assim também julgamos que a religião cristã de nenhum modo proíbe que uma pessoa jure quando o Magistrado o exige em causa de fé e caridade; contanto que isto se faça segundo a doutrina do profeta, em justiça, juízo e verdade.
Assim como confessamos que o Juramento vão e temerário é proibido aos cristãos por nosso Senhor Jesus Cristo, e por Tiago, seu apóstolo, assim também julgamos que a religião cristã de nenhum modo proíbe que uma pessoa jure quando o Magistrado o exige em causa de fé e caridade; contanto que isto se faça segundo a doutrina do profeta, em justiça, juízo e verdade.
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NOTAS
:
[1] "... indivisível não sujeito à paixões..."
[2] "... Sustentador..."
[3] "... da eternidade..."
[4] Esdras
[5] Neemias
[6] Os 39 artigos da Igreja Episcopal Reformada trazem: "... Dos Três Credos..."
[7] Consta assim: "... Os três credos a saber: os Credos Niceno, Atanasiano e o que normalmente se chama Credo ou “Símbolo dos Apóstolos"
[8] "... contaminação..."
[9] "... preceda..."
[10] "... Espírito..."
[11] "... Concílios Gerais não devem ser reunidos sem o mandamento e a vontade de Príncipes. E quando eles se reúnem (sendo uma assembléia de homens, onde sem todos são regidos pelo Espírito e pela Palavra de Deus) podem errar, e às vezes têm errado, mesmo nas coisas pertencentes a Deus. Portanto, o que por eles é ordenado como necessário à salvação não possui força nem autoridade, exceto se for declarado que eles o extraíram das Sagradas Escrituras"
[12] "... O Livro de Consagração de Arcebispos e Bispos e ordenação de Presbíteros e Diáconos, acontecido no tempo do Rei Edward VI, contém todas as coisas necessárias à referida Consagração e ordenação; Não há nele coisa alguma que seja por si mesma supersticiosa e ímpia. Por conseqüência, todos aqueles que tenha sido consagrados ou ordenados segundo os ritos do referido Livro, desde o segundo ano do reinado do Rei Edward VI até os dias de hoje, ou que aos que forem consagrados e ordenados segundo os mesmo ritos, são e serão reta, canônica e licitamente consagrados e ordenados".
[13] "... A Majestade do Rei tem o supremo poder no Reino da Inglaterra, e nos outros seus domínios; pertence-lhe o supremo governo de todos os Estados do referido reino,assim eclesiásticos como civis, em todas as suas causas, e não é, e nem pode ser sujeito a nenhuma jurisdição estrangeira. Quando atribuímos à Majestade o Rei, o supremo governo (título que, segundo havemos alcançado, temos ofendido os ânimos de alguns caluniadores), não queremos dar aos nossos Príncipes a administração da Palavra de Deus, nem a dos Sacramentos, coisas que as mesmas ordenanças ultimamente promulgadas pela Rainha Elizabeth I, provam com maior evidência; mas unicamente a prerrogativa que nas Sagradas Escrituras vemos, foi sempre dada por Deus a todos os Príncipes piedosos; isto é, que todos eles governassem, mantendo em seu dever todos os estados e classes entregues por Deus a todos os Príncipes piedosos; isto é, que eles governassem, mantendo em seu dever todos os estados e classes entregues por Deus a seu cargo fossem eclesiásticos ou temporais, refreassem com espada civil os contumazes e malfeitores.
O Bispo de Roma não tem jurisdição alguma no reino da Inglaterra.
As leis do Reino poderão castigar os cristãos com pena de morte, por crimes graves e capitais.
É lícito aos cristãos, por ordem do Magistrado, pegar em armas e servir nas forças armadas.
As referências à Constituição e Leis da Inglaterra são porém, consideradas inaplicáveis em nosso país, tendo em vista a Constituição da República Federativa do Brasil, não aplicar a pena de morte por ser considerado inconstitucional.

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No Concilio realizado em Londres no ano de 1562, para evitar diversidade de opiniões, e estabelecer o comum acordo no tocante à verdadeira Religião. (Livro de Oração Comum, publicado em português em 1866, pela Society for Promoting Christian Knowledge . pg. 432 - 444).

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Extraído do Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal do Brasil (1950), p. 601-611.
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CONFIRMAÇÃO DOS ARTIGOS
Este Livro dos referidos Artigos foi aprovado e confirmado para ser recebido e executado em todo o Reino, pelo assenso e consentimento da nossa Soberana, a Senhora dona Elizabeth I, pela graça de Deus, Rainha do Reino da Inglaterra, França, e Irlanda, Defensora Fé, etc. Os quais Artigos foram deliberadamente lido e de novo confirmados, e subscritos pela própria mão de todos os Arcebispos, e Bispos da Câmara Alta, e pelas assinaturas de todo o Clero da Câmara Baixa, na sua Convocação, no ano de nosso Senhor de 1571.


Sexualidade Humana



Resolução I.10 Conferência de Lambeth 1998 sobre Sexualidade Humana
Esta Conferência:

Recomenda para a Igreja o relatório de subseção sobre a sexualidade humana

1. Devido ao ensino das Escrituras, apóia a fidelidade no matrimonio entre um homem e uma mulher em união vitalícia, e acredita que a abstinência é correta para aqueles que não são chamados a viver a vida matrimonial;
2. Reconhece que há entre os seres humanos pessoas que têm uma orientação homossexual. Muitos destes são membros de igrejas e estão buscando o cuidado pastoral, e a direção moral da Igreja, e Deus em Seu poder está transformando suas vidas e ordenando suas relações. Nós nos comprometemos a escutar à experiência destas pessoas desejamos assegurar que elas sejam amadas por Deus. …..
3. Enquanto rejeitamos a prática homossexual como incompatível com as Escrituras, conclamamos todos a ministrar pastoralmente e sensivelmente a todos independente de sua orientação sexual e condenamos o medo irracional de homossexuais, violência dentro do matrimonio e qualquer maneira trivial de tratar ou comercializar a sexualidade humana;

(e) Não podemos aconselhar, legitimar ou abençoar as uniões do mesmo sexo. Nem a ordenação destes que se envolvem neste tipo de união.;
(g) Denotamos …..a autoridade de Escritura em assuntos de matrimonio e sexualidade……

QUARESMA 2018: Deixe sua luz brilhar!

QUARESMA 2018 de 14 de fevereiro a 25 de março de 2018 Deixe sua luz brilhar, participe de uma jornada de discipulado de seis sem...