Caminho de Emaús




Ao relembrar a passagem bíblica do caminho de Emaús, fico emocionado por saber que o mesmo acontecimento se faz presente nos dias atuais. Recordem-se de que dois discípulos de Jesus, quando caminhavam para Emaús, sentiram-se desanimados. Propensos a desistir, Jesus ressurreto pôs-se a caminhar junto deles, e por Ele foram encorajados.

De uma maneira similar, este episódio acontece sempre que estamos reunidos em nossos ofícios e cultos dominicais porque, assim como os dois discípulos, somos encorajados e guiados por Jesus.

Por isso, a narrativa da Ressurreição é um dos fundamentos principais da nossa Igreja. E pelo fato de estarmos reunidos na igreja visível, Jesus se faz conosco, pois ela é sinal de Sua real presença entre nós. Assim sendo, nós somos templos vivos do Cristo ressurreto. Irmãos e irmãs há, para mim, três fases nessa narrativa. Observem:

A primeira é que sem avisar, Jesus aproxima-se dos discípulos, que estão desapontados e tristes, e caminham juntos. Este fato acontece conosco também. Muitas vezes Jesus caminha conosco e nós não percebemos sua presença. A segunda acontece quando Jesus pergunta: “O que foi? Aconteceu alguma coisa triste?” Ao narrarmos nossa tristeza, Ele nos anuncia o Evangelho: “você não conhece o amor divino e está preso no próprio mundo. Mas, quando você desprender-se do seu mundo, estará libertado para uma nova vida e viverá no mundo de Deus, onde receberá a verdadeira salvação.”

Jesus ainda nos ensina isso dizendo: “minha morte teve o objetivo de trazer para as pessoas o amor divino.” Ao ouvirmos estas palavras, ficamos animados e insistimos para que ele fique conosco por mais tempo.

A terceira se constitui no partir do pão e de sua entrega. Marcando a cena da última ceia, esta fase nos faz anunciar a sua morte e proclamar a sua ressurreição. Isto significa que Jesus e nós nos tornamos um só corpo. Ele vivifica a (e em) nossa vida, quando nós partimos o pão na fé e juntos comemos. É sempre assim em nossa Santa Eucaristia – nós partimos e comemos do pão e bebemos do vinho. Este é o mesmo acontecimento de Emaús.

Portanto, é na Eucaristia que podemos nos encontrar intimamente com Jesus e adquirirmos forças espirituais para a nossa realidade. E lembrem-se: no caminho de Emaús Jesus ensinou àqueles dois discípulos que Ele sempre estará presente quando solicitado, porque Jesus, o Cristo, é o pão da vida e o cálice da salvação.

Agradeçamos a Deus porque podemos, hoje, comungar o corpo e o sangue de seu filho, Jesus, e acreditamos que Ele estará sempre conosco.

Dom Hiroshi Ito
Bispo Diocesano

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